O mercado financeiro elevou a previsão para a alta de preços acumulada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2010 e em 2011, conforme a pesquisa Focus, divulgada ontem pelo Banco Central (BC). A expectativa para a inflação em 2010 subiu de 5,58% para 5,72%, em um patamar ainda mais distante do centro da meta de inflação para o ano, que é de 4,50%. Já a estimativa para o IPCA em 2011 avançou de 5,15% para 5,20%. No caso da inflação de curto prazo, o mercado subiu de 0,65% para 0,73% a previsão para o IPCA de novembro. Para a inflação de dezembro, a taxa prevista avançou de 0,50% para 0,55%, de acordo com a Focus.
O BC também informa que a projeção dos analistas para o Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) passou de 6,13% para 6,20%. Para 2011, a projeção caiu de 4,83% para 4,80%. A estimativa para o Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) foi alterada de 11,02% para 11,03%, neste ano, e de 5,26% para 5,31%, em 2011.
Mais cedo, a Fundação Getulio Vargas (FGV) informou que a inflação mensurada pelo Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) ganhou força em novembro. O índice subiu 1,45% em novembro, após avançar 1,01% em outubro. A taxa mensal ficou no teto das estimativas dos analistas do mercado financeiro, que esperavam um resultado entre 1,23% e 1,45%. A mediana das projeções estava em 1,35%.
A FGV anunciou ainda os resultados de novembro dos três componentes do IGP-M. O Índice de Preços por Atacado-Mercado (IPA-M) avançou 1,84% este mês, após subir 1,30% em outubro. Por sua vez, o Índice de Preços ao Consumidor-Mercado (IPC-M) apresentou alta de 0,81% em novembro, ante a taxa positiva de 0,56% no mês passado. Já o Índice Nacional do Custo da Construção – Mercado (INCC-M) registrou taxa positiva de 0,36% este mês, em comparação com a elevação de 0,15% em outubro.
A taxa acumulada do IGP-M é muito usada no cálculo de reajustes de aluguel. Até novembro, o indicador acumula taxas de inflação de 10,56% no ano e de 10,27% em 12 meses. O período de coleta de preços para cálculo do IGP-M de novembro foi do dia 21 de outubro a 20 de novembro.
Cabe ao Banco Central perseguir a meta de inflação e para isso usa como instrumento a taxa básica de juros, a Selic. Quando considera que a trajetória de inflação é de alta, em ambiente de economia muito aquecida, o BC eleva os juros básicos. De acordo com a pesquisa Focus, os analistas também mantiveram a previsão para a Selic (a taxa básica de juros da economia) para o fim de 2010, em 10,75% ao ano. Para o fim de 2011, a projeção para a taxa subiu de 12,00% para 12,25% ao ano.
Os analistas mantiveram o patamar esperado para o dólar no fim de 2010. A taxa de câmbio esperada para o fim de dezembro permaneceu em R$ 1,70. Para o fim de 2011, a expectativa para a moeda americana permaneceu em R$ 1,75. A previsão do câmbio médio no decorrer de 2010 seguiu em R$ 1,76 e do câmbio médio em 2011 permaneceu em R$ 1,74.
O mercado financeiro manteve as previsões para o déficit nas contas externas em 2010. A previsão para o déficit em conta corrente neste ano é de US$ 50 bilhões. Para 2011, a previsão de déficit em conta corrente do balanço de pagamentos caiu de US$ 68,06 bilhões a US$ 68,00 bilhões.
Já a previsão de superávit comercial em 2010 subiu de US$ 16,00 bilhões para US$ 16,30 bilhões. Para 2011, a estimativa para o saldo da balança comercial passou de US$ 8 bilhões para US$ 8,50 bilhões. Analistas não alteraram a estimativa de ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED) em 2010, de US$ 30 bilhões Para 2011, a previsão permaneceu em US$ 36,0 bilhões.
A previsão para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010 também foi alterada. A estimativa para a expansão da economia neste ano caiu de 7,60% para 7,55%. Para o ano que vem, a previsão para o PIB foi mantida em 4,50%. A estimativa para a produção industrial em 2010 caiu de 11% para 10,98%.

