“Cálculo da caderneta de poupança não se justifica mais”, diz Fecomercio-SP

Com a sequência de cortes na taxa básica de juro (Selic), hoje em 9,75% ao ano, as discussões com relação a mudanças na caderneta de poupança voltaram à tona.

Apesar de o ministro da Fazenda, Guido Mantega, insistir em dizer que não estão sendo analisadas alterações na aplicação, vários setores da economia já se mobilizam sobre o assunto. “O cálculo da caderneta de poupança não se justifica mais”, disse o diretor-executivo da Fecomercio-SP, Antonio Carlos Borges. A Federação apresentou, ontem (20/03), o estudo “O cálculo da poupança precisa mudar para o bem do Brasil. Uma nova estrutura de remuneração de capitais”.

Na opinião da Fecomercio-SP, o modelo atual da caderneta garante uma remuneração semelhante às melhores aplicações do mercado, mas tira a competição entre as aplicações, tornando as cadernetas, ao mesmo tempo, seguras, rentáveis e líquidas. “Os investimentos podem conter dois desses itens, mas nunca os três juntos, sob a pena de criarem distorções alocativas significativas”, afirma a Federação. “Sendo essa uma real probabilidade de ocorrer no Brasil, caso o caminho de redução de juros seja mantido”, completa.

O problema, de acordo com a entidade, de manter as regras atuais de remuneração e tributação é tornar, cada vez mais, as cadernetas mais atrativas do que outras aplicações, fazendo com que haja, em breve, uma migração forte de outras modalidades de investimentos para a poupança.

A Federação reconhece que alterações podem, em um primeiro momento, parecerem prejudiciais aos adeptos da caderneta, que é a aplicação mais popular da atualidade e permite a entrada de qualquer pessoa, independentemente da renda.

Neste sentido, leitores do portal InfoMoney já se manifestaram conta mudanças na caderneta, defendendo, sim, alterações nas regras tributárias dos fundos de investimentos, que poderiam manter a atratividade da aplicação e evitaria uma migração para a poupança. “Na realidade, o objetivo de estabelecer novas regras de caderneta de poupança no Brasil é promover efeitos que beneficiariam o desenvolvimento econômico, reduziriam os juros para os tomadores de crédito e aliviariam o câmbio, beneficiando empresas, empregados e até mesmo os poupadores”, conclui a Fecomercio-SP.