A mais recente publicação do Global M&A Predictor da KPMG International indica que os seis primeiros meses de 2012 provavelmente serão duros para a área de fusões e aquisições (F&A). Há temores, inclusive, de que essa perspectiva se manifeste além deste prazo. De acordo com a análise, chegou ao fim o crescimento gradual da confiança do mercado ano após ano desde o ponto mais baixo da desaceleração de 2009, em razão do aumento das preocupações sobre a economia, sobretudo na zona do euro.
O índice Preço/Lucro (ou P/E, do termo em inglês price/earnings) recuou 5% desde junho de 2011 e 14% desde janeiro de 2011. Embora essa seja uma taxa de declínio mais lenta em relação aos últimos seis meses, ela sugere que a melhoria gradual em F&A nos últimos dois anos está chegando ao fim.
David Simpson, diretor da área de Fusões e Aquisições Globais da KPMG e sócio da firma-membro do Reino Unido, avalia que o primeiro semestre de 2012, e muito provavelmente o restante do ano, representará um duro golpe para os negociadores em todo o mundo. As graves oscilações econômicas, sobretudo na zona do euro, diminuíram o apetite por negócios.
“No entanto, não estamos prevendo uma queda brusca: os negócios são mais que viáveis em razão da disponibilidade de dinheiro das empresas; dos recursos financeiros dos fundos de private equity; e da ampla oferta de empresas-alvo. O desafio real será se as empresas terão coragem para buscar os negócios”.
No Brasil, as perspectivas são pouco diversas do cenário internacional indicado no M&A Predictor. “Em 2011, tivemos um ano muito positivo para o segmento de fusões e aquisições, com o recorde de 817 transações. Além disso, o Brasil continua na rota de investimentos internacionais. É claro que parte do impacto negativo esperado no exterior deverá se refletir por aqui, mas acreditamos que 2012 será também um período muito bom para esse tipo de negócio. Podemos não ter um novo recorde, mas, certamente, ao final do ano, teremos um dos melhores resultados da história”, afirma Luis Motta, sócio-líder da área de Fusões e Aquisições da KPMG no Brasil.
O M&A Predictor mostra que a queda na confiança dos players contrasta com um aumento na capacidade das empresas em embarcar na atividade de F&A. Com a previsão de queda global de 12% no endividamento líquido e de redução de 18% nos índices de endividamento líquido sobre o EBITDA, os balanços patrimoniais parecem estar em boa forma. Isso demonstra que há capacidade para realizar transações, mas essa realidade não se reflete no aumento do apetite por negócios. Em vez disso, as empresas estão priorizando a redução da dívida e gerenciamento do balanço. “Em todos os setores, as expectativas de lucro líquido para o ano caíram desde a nossa pesquisa no último verão. Essa é a primeira vez em dois anos que isso acontece, com o efeito sendo especialmente sentido em setores de materiais básicos, produtos industrializados, utilidades e consumo”, acrescenta Simpson.
Diante dessa perspectiva, a confiança de muitos setores está previsivelmente atenuada, com índices Preço/Lucro projetados particularmente em baixa em materiais básicos (queda de 14%) e produtos industrializados (queda de 9%). No entanto, alguns setores estão se saindo melhor que outros: as empresas de bens de primeira necessidade na verdade registram um aumento de 2% no índice Preço/Lucro.
Adotando uma visão de mais longo prazo, os sinais são mais positivos para a área de assistência médica. Apesar de registrar uma queda de 3% no índice Preço/Lucro projetado entre junho e dezembro de 2011, isso ocorre após dois aumentos semestrais sucessivos, deixando o setor em uma situação mais saudável em relação aos últimos 12 meses.
Para Simpson, há grandes variações de perspectivas entre algumas das maiores economias do mundo, com a Índia e Alemanha apresentando quedas no nível de confiança.

