Número de empresas que fecharam capital dobra em 2011; o que fazer na OPA?

O número de OPAs (Ofertas Públicas de Aquisições) realizadas em 2011 dobrou na comparação com o ano anterior, segundo dados da BM&FBovespa. Em 2010, três empresas efetuaram este tipo de oferta e, posteriormente, tiveram seus registros de companhias abertas cancelados na BM&FBovespa. No ano passado, foram seis companhias que realizaram OPAs e deixaram de ser listadas na bolsa paulista.

Só este ano, já estão previstas mais duas OPAs: uma é a da Confab, depois que a Tenaris, sua acionista controladora, anunciou a intenção de comprar as ações do free float (em circulação no mercado) para fechar o capital da companhia. A outra é da Redecard, anunciada pelo Itaú Unibanco (acionista controlador da empresa) na última terça-feira (07/02).

De acordo com especialistas, para os investidores que possuem ações da empresa que anunciou a OPA, o melhor a ser feito é participar da oferta e vender seus papéis pelo preço ofertado. “Não vale a pena ficar com as ações de uma empresa de capital fechado”, afirma o especialista em finanças da MoneyFit, André Massaro.

Entretanto, nem sempre o preço proposto pela controladora agrada a todos os investidores. No ano passado, após a Folhapar, acionista controladora do UOL,anunciar a OPA das ações do portal de internet, alguns gestores de fundos de investimentos (que detinham mais de 70% das ações em circulação) enviaram uma carta para a controladora, contestando o valor proposto pela ação, inicialmente de R$ 17.

Dois meses depois, a Folhapar anunciou um novo preço para aquisição dos papéis, de R$ 19. “O investidor pode até se organizar e se manifestar coletivamente contra o preço da oferta, por exemplo, mas o ideal é participar desta oferta”, afirma. “Depois disso, ele vai ter sérios problemas com a liquidez do papel”, alerta.

Existem diversos motivos para uma empresa ter seu capital fechado e eles giram sempre em torno do interesse dos controladores. No caso do Itaú Unibanco, que anunciou a OPA (Oferta Pública de Aquisição) das ações de sua controlada, a Redecard, a alegação foi de que isso reduziria os conflitos de interesse entre as emissões de cartões do banco e os serviços oferecidos pela operadora da rede.

Este foi o motivo do Itaú Unibanco, mas existem outras razões que podem levar uma companhia a recomprar as ações do free float. “Um deles é o fato do controlador achar que as ações estão muito baratas ou com muito pouca liquidez, por exemplo”, afirma o gerente-geral do INI (Instituto Nacional de Investidores), Paulo Portinho.

Ele lembra que existe uma série de custos para manter uma empresa com capital aberto, que pode não valer a pena, caso as ações não tenham o desempenho esperado. “A empresa gasta muito para manter uma área de RI (Relações com Investidores), para fazer e divulgar os balanços trimestrais e prestar toda a informação exigida pelo mercado” aponta.