As profundas transformações da economia brasileira também estão impactando as empresas nacionais que, na sua maioria, são de controle familiar.
Alguns dos indicadores que mostram a importância crescente dessas organizações como uma alternativa para os profissionais são o melhor preparo dos familiares e herdeiros no papel de acionistas, o desenvolvimento de uma governança (familiar, societária e da administração) e a internacionalização das operações de vários grupos. Além disso, temos uma maior aceitação da presença de executivos não familiares, a abertura do capital ou busca de sócios investidores, a transição em vários grupos da primeira para a segunda geração e o aumento do número de empresas que já estão na terceira geração.
Contudo, a maioria das análises sobre o mercado de oportunidades de trabalho para executivos no Brasil ainda exclui as empresas familiares como um segmento que está crescendo e se profissionalizando. O mundo acadêmico, os recrutadores, os orientadores de carreiras e até a própria imprensa que trata do mundo dos negócios são responsáveis por isso.
As universidades brasileiras, e especialmente os cursos de administração, ainda não incluíram o tema em suas cadeiras. Assim como as estatais e as multinacionais, elas possuem características que devem ser estudadas e levadas em consideração. Ninguém consegue sucesso se não compreende a cultura, a estrutura de poder e o núcleo de controle do capital.
No Brasil, temos a estrutura unifamiliar, onde um fundador cria e transfere a propriedade aos seus descendentes diretos, e um grande contingente de multifamiliares, onde desde a primeira geração existe uma diversidade de sócios que não possuem vínculos familiares, mas criam entre si uma forte cumplicidade. É importante também analisar se a empresa está na primeira geração, onde propriedade e gestão se confundem, ou se já é uma sociedade de herdeiros com o controle diluído.
Aos que ainda olham a empresa familiar com alguma reserva, vale registrar que na América do Norte e na Europa mais de 80% das companhias possuem esse modelo, assim como 37% das 500 maiores da revista “Fortune” e 60% de todas as organizações de capital aberto nos Estados Unidos.
Atuar em uma estrutura familiar pode representar a oportunidade de estar próximo do poder. Evidentemente, essa situação permite influir de forma estratégica no futuro dos negócios e do seu grupo controlador, mas isso não pode se confundir com intimidade ou invasão de privacidade. Outro ponto importante é clarificar os papéis e os resultados esperados. Caso você tenha sido contratado como executivo, não misture essa demanda com eventuais solicitações para administrar conflitos pessoais ou societários.
Ser executivo de uma empresa familiar deve representar uma excelente oportunidade para contribuir no processo de profissionalização da companhia. A crise de 2008 mostrou, inclusive, que essas organizações se saíram melhor que as outras na época por preservarem uma visão de longo prazo.

