As medidas tomadas pelo governo no fim de 2011 para estimular o consumo ainda não tiveram um impacto significativo na intenção de compra dos consumidores. A conclusão é do presidente do conselho do Provar (Programa de Administração do Varejo) da FIA (Fundação Instituto de Administração), Claudio Felisoni de Angelo.
Levantamento feito pelo Provar em parceria com a Felisoni Consultores Associados mostra que 60,6% dos consumidores de São Paulo têm a intenção de comprar bens duráveis, como móveis e eletrodomésticos, no primeiro trimestre deste ano. Para efeito de comparação, no mesmo período de 2011 o índice era de 71,8%.
Segundo o presidente do conselho do Provar, a redução da taxa básica de juros, a Selic, promovida em novembro do ano passado pelo Banco Central, ainda não teve impacto no bolso dos consumidores. Em 30 de novembro de 2011, a taxa foi reduzida de 11,5% para 11% ao ano. Nesta quarta-feira (18), o Copom (Comitê de Política Monetária) anuncia o novo valor para a taxa básica de juros, e o mercado aposta em nova queda de 0,5%, para 10,5%. “O repasse na ponta, para o consumidor final, demora de oito a dez meses”, diz Felisoni. “Além disso, essa ainda é uma taxa muito alta.”
De acordo com o especialista, o corte de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados ) para eletrodomésticos da chamada linha branca (como geladeiras e fogões), promovido também no fim do ano, teve o efeito apenas de reduzir a desaceleração nas vendas que era esperada para o setor. “O impacto não foi tão grande como em 2008, quando o governo adotou medida semelhante”, afirma.
A pesquisa do Provar mostra que 9,6% dos consumidores pretendem comprar produtos de linha branca neste primeiro trimestre. O índice é apenas um pouco maior do que o registrado no primeiro trimestre de 2011 (9,4%), mas inferior ao do último trimestre do ano passado (10,4%).

