Em meio à crise vivida pela indústria calçadista com o avanço da competição asiática, fabricantes nacionais trabalham duro para manter-se no mercado. Enquanto a gaúcha Antonielle fechou sua fábrica em Novo Hamburgo, terceirizando toda a produção, a paulista Democrata, tradicional marca de calçados masculinos, decidiu entrar também em sapatos femininos.
Em 2011, ao completar 30 anos, a Antonielle precisou tomar uma decisão complicada. Passando por dificuldades desde 2002, ano em que produzia 8 mil pares ao dia, com 500 funcionários, o que se reduziu para cerca de 2 mil pares diários, com 200 trabalhadores, no ano passado, a empresa finalmente optou, em novembro, por fechar a fábrica em Novo Hamburgo, onde estava instalada desde 1981, e apostar num modelo de negócios inédito no País. As vendas, que antes eram feitas por representantes, passaram a ser on-line. “Nós vimos que a venda na Internet para o usuário final começou a se popularizar e pensamos – Por que não fazer isso para o lojista?”, conta o gerente de Marketing, Daniel Pessin. Daí surgiu a ideia de um portal de pedidos, implantado em outubro, com investimento de cerca de R$ 50 mil.
Outra que vai inovar em 2012 é a paulista Democrata, de Franca. Tradicional marca de calçados masculinos, a companhia estreia este ano uma linha de sapatos femininos, que serão fabricados em uma planta própria no Município de Sapiranga, no polo calçadista gaúcho do Vale dos Sinos.
No varejo, as vendas do setor seguem aquecidas entre as redes de franquias especializadas em vestuário e acessórios. Mas é no comércio eletrônico que o setor de calçados chama a atenção. Com público-alvo focado nas Classes A, B e C, com mais de 25 anos, a varejista brasileira Netshoes contabilizou ano passado um faturamento de R$ 600 milhões, como uma das maiores lojas virtuais especializada em artigos esportivos no País. Em pouco mais de quatro anos no mercado on-line, a marca já entregou mais de 15 milhões de produtos de uma vitrine virtual de 25 mil artigos, dos quais diversos são exclusivos. A aposta é manter o incremento de 50% de suas operações neste ano, tanto que a empresa acaba de entrar também com operações na Argentina e no México após o aporte financeiro do fundo de investimentos norte-americano Tiger Global.

