A concessão de crédito bancário para pessoas físicas deve aumentar no próximo ano, de acordo com análise da Tendências Consultoria divulgada com exclusividade para o InfoMoney ontem (21/12). A projeção é que, em 2012, haja um crescimento de 10,2% nas concessões de crédito, ante expectativa de crescimento de 8,6% em 2011. As projeções divulgadas são melhores do que as expectativas anteriores (7,4% de crescimento em 2011 e 9,5% de crescimento em 2012).
De acordo com a economista da Tendências, Alessandra Ribeiro, este crescimento deve ser sustentado pelo fato de os “condicionantes do consumo”, como os índices de desemprego e renda, por exemplo, estarem com perspectivas favoráveis para o próximo ano. “Com expectativa de que o desemprego caia um pouco mais e que a renda tenha um leve aumento, não há porque a demanda por crédito arrefecer”, afirma. “Ainda mais em um contexto de juros mais baixos”, continua.
Segundo ela, este cenário só mudaria no caso de um agravamento dos problemas internacionais. “Só se houver algo muito sério, no estilo da quebra do Lehman Broters (banco norte-americano que quebrou em 2008, marcando o início da crise financeira internacional)”.
Como isso afeta o seu bolso?
De acordo com a economista, o maior acesso ao crédito pelas famílias pode aumentar o consumo e acabar afetando o preço dos produtos, pressionando a inflação, mas isso não deve acontecer já em 2012. “A economia desacelerou bastante, por isso, para o próximo ano, o cenário está mais tranquilo. A inflação ainda deve ficar acima do centro da meta, em torno de 5,5% ao ano, mas não deve sair do controle”, afirma a economista.
Segundo ela, dois fatores principais devem contribuir para que os preços não subam tanto no ano que vem: a menor pressão dos preços administrados, como combustíveis, tarifas de ônibus e energia, e o preço das commodities, que influenciam diretamente no preço dos alimentos. “Não esperamos um aumento significativo no valor das matérias-primas para 2012, o que deve contribuir para manter os preços finais sob controle”, aponta a economista.
Já para 2013, a inflação pode voltar a pressionar de maneira mais contundente. “Com mais pessoas consumindo e uma maior concessão de crédito ao longo de todo o ano que vem, vai ser mais difícil segurar a inflação no ano seguinte”, ressalta.
A maior concessão de crédito também poderia comprometer o nível de endividamento das famílias. Isso porque, quanto mais acesso ao crédito, maior tende a ser o comprometimento de renda da população com o pagamento de parcelas de empréstimos e financiamentos. Entretanto, a economista afirma que esta questão não chega a preocupar. “Por enquanto, o comprometimento da renda está confortável. No começo do ano estava em torno de 25%, agora subiu para cerca de 28% do total da renda, mas nada que chame muita atenção”, aponta. “À medida que a concessão de crédito aumenta, a tendência é que haja um maior alongamento do prazo, então, não enxergamos problemas quanto a isso”, continua Alessandra.
Já em relação às taxas de juros, ela afirma que a maior concessão de crédito não influencia diretamente no custo do crédito para o consumidor final. “Uma coisa não tem relação direta com a outra”, afirma.
Já para as pessoas jurídicas, a perspectiva é diferente. A concessão de crédito para empresas deve recuar 7% este ano e 7,4% no ano que vem, segundo a análise da consultoria.
De acordo com a Tendências, para o próximo ano, o desempenho do mercado de crédito para pessoa jurídica está condicionado principalmente a dois fatores opostos: apesar do atual ciclo de queda na taxa básica de juro atuar como fator positivo para os empréstimos, para a consultoria, o BC deve continuar reduzindo os juros até abril, com a Selic a 9,5% ao ano. O aumento nas incertezas em relação à economia internacional deverá aumentar o conservadorismo na oferta e demanda por crédito.

