Após pelo menos três anos amargando redução nas margens de lucro, empresas de capital aberto pretendem recompor seus retornos em 2012, segundo pesquisa de entidade do setor.
Segundo o levantamento da Associação Brasileira de Companhias Abertas (Abrasca) com 160 associados, que somam cerca de R$ 15 bilhões em valor de mercado, 44% delas pretendem elevar seus preços em 2012. Ao mesmo tempo, 22% esperam custos mais elevados. “Ao longo do governo Lula, a percepção de pressão de custos era mais elevada que a capacidade de recuperação e margem. Foram anos de impacto sobre margem,” disse à Reuters o gerente de operações da Abrasca, Alexandre Fisher.
Desde 2008, as pesquisas semestrais da Abrasca apontaram que os custos das empresas subiram bem acima do que o repasse de preços. No começo desse ano, a pesquisa mostrou que 55% dos entrevistados previam pressões de custo, ao passo que 50% estimavam aumentar preços.
No levantamento feito no meio do ano, essa relação era de 46,7% para elevação de preços e 66,7% viam pressões de custos. “O mundo inteiro mudou o patamar de crescimento desde a crise do subprime. Para manter a competitividade, também diante de uma taxa de cambio desfavorável, as empresas tiveram que colocar os preços para baixo para não perder mercado”, disse.
Segundo Fisher, o aquecimento interno, mesmo num cenário de crise internacional, permite esse repasse de custos acumulado e um movimento de recuperação de margens. Para ele, as empresas de serviço e varejo são as que estariam mais à vontade para recuperar margens. “Você tem aumento de renda, mercado de trabalho e a percepção de riqueza maior ao brasileiro com um cambio a R$ 1,70 e boom no preços dos imóveis,” avaliou. “As empresas com foco varejo estão num momento muito bom, reportando resultados positivos e, como 2012 é um ano de eleição, os gastos tendem a aumentar”, acrescentou.
O levantamento mostra que 48% dos entrevistados esperam um crescimento da demanda interna em 2012, e 60% aguardam um queda na demanda externa.

