As ações da AMR Corp., controladora da companhia aérea norte-americana American Airlines, despencaram 84% na última terça-feira (29/11), após o pedido de concordata da empresa. E casos parecidos com este são comuns no mercado acionário.
Este mês, a Lupatech, fabricante brasileira de válvulas e outros equipamentos para o setor de petróleo e gás, viu suas ações despencarem em algumas sessões, devido à preocupação do mercado com a situação financeira da empresa – a companhia divulgou comunicado afirmando que a desvalorização foi motivada por uma reportagem “especulativa”. Mesmo assim, desde o início do ano, as ações da empresa já recuaram 73,03% (com base no fechamento desta quarta-feira, dia 30). Mas o que o investidor deve fazer nestes casos?
O analista da Futura Investimentos, Adriano Moreno, lembra que a perda maciça do valor investido é um risco inerente ao mercado acionário. Isto porque, ao se tornar sócio (ainda que minoritário) de uma companhia, o investidor assume os riscos de que ela passe por problemas até chegar ao extremo de entrar com pedido de falência. “Adquirindo ações, você está comprando este risco”, afirma.
Segundo ele, para evitar surpresas desagradáveis, é preciso analisar a empresa na qual se vai investir e seus fundamentos. A AMR Corp., por exemplo, já vinha dando sinais de problemas há um bom tempo e registrando prejuízos consecutivos, por conta do aumento do preço do combustível e da desvalorização do dólar.
Para se ter uma ideia, desde o começo do ano, as ações da companhia aérea norte-americana já haviam despencado mais de 79%, de US$ 7,89 para US$ 1,62 (cotação do dia 28 de novembro, antes do pedido de concordata). “Isso não acontece de uma hora para outra”, diz Moreno.
De acordo com o sócio-diretor da AZ Investimentos, Ricardo Zeno, se depois que você comprou as ações, acreditando no potencial de valorização da empresa, elas começarem a cair, devido a sinais de problemas graves, o ideal é fazer uma nova análise e, se for o caso, vender os papéis antes que a situação fique ainda pior. “Nestes casos, o melhor mesmo é realizar um prejuízo ainda pequeno do que esperar e acabar chegando a ponto de perder quase todo o capital”, diz.
De acordo com Moreno, além de sempre analisar os fundamentos da empresa e acompanhar o balanço, diversificar a carteira de ações também diminui o risco de grandes prejuízos em casos como este. “Se você tem ações de 50 empresas e uma quebra, o peso disso na sua carteira é pequeno”, diz. “Agora, se você só investe em uma e acontece isso, você pode perder todo o capital”, ressalta.
Quando o preço das ações cai muito por conta de problemas como os da AMR Corp., elas acabam atraindo também um outro tipo de investidor. Os especuladores, que procuram aproveitar os preços das ações em busca de alguma valorização expressiva de curto prazo, motivada por alguma notícia positiva para a empresa.
Entretanto, este tipo de estratégia é bastante arriscada. “Sempre surgem especuladores neste momento, esperando alguma boa notícia ou acreditando em uma recuperação. Mas nem sempre isso pode acontecer e há uma grande chance de perdas”, afirma Zeno.

