Com a dificuldade de conseguir capital no mercado de capitais brasileiro e também nos bancos internacionais, as grandes empresas que operam no Brasil estão cada vez mais recorrendo a bancos locais. No mês de setembro, o setor financeiro registrou alta superior a 2% do estoque de crédito para todos os setores da economia, crescimento puxado pelas corporações de maior porte.
Com carteira de R$ 163,340 bilhões em pessoa jurídica, o Banco do Brasil chegou a R$ 101,024 bilhões concedidos para médias e grandes empresas, com alta de 5,72% na comparação com junho de 2011. O Itaú Unibanco apresentou R$ 221,660 bilhões na carteira de empresas, sendo que o maior crescimento ocorreu em grandes empresas, de 9%, para R$ 134,751 bilhões. Já micro, pequenas e médias expandiram 2,2%, para R$ 86,908 bilhões.
Outro fenômeno que comprova esta inversão da busca de recursos das grandes empresas é o mercado secundário de debêntures. A venda de títulos privados entre investidores já superou os R$ 14 bilhões em novembro, até o dia 18. Na comparação anual, a negociação cresceu 27% até outubro, de R$ 10,353 bilhões para R$ 13,153 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). O mercado de capitais está desenvolvendo iniciativas para deixar os títulos privados mais populares, com a orientação do Novo Mercado de Renda Fixa para emissão com valor de face de apenas R$ 1 mil.
Enquanto as empresas brasileiras buscam recursos aqui, as multinacionais intensificam suas remessas de lucros a sua matriz no exterior, o que afeta inclusive as contas públicas. Segundo projeções do Banco Central, o déficit na conta de transações externas deve fechar o ano em US$ 54 bilhões, contra um saldo de US$ 39,1 bilhões ao final de outubro. Ou seja, para os dois últimos meses do ano, a saída de dólares do País deve ser de US$ 11 bilhões.
O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, deu ontem a receita para combater este momento turbulento. “Sabemos que o desenvolvimento econômico precisa de aprimoramento do mercado de crédito e maior acesso ao sistema financeiro”, disse.

