Seis em cada dez brasileiros de classe média querem abrir negócio próprio

Seis em cada dez brasileiros pertencentes à nova classe média com idade entre 18 e 35 anos pretendem abrir um negócio próprio. Em 91% dos casos, o objetivo é fazer isso nos próximos dez anos. Os dados são de um levantamento feito pelo Instituto Data Popular com pessoas cuja renda familiar média é de R$ 2.295.

Para o sócio-diretor do instituto, Renato Meirelles, o desafio do governo para os próximos anos será justamente abrir caminhos para a realização desse objetivo. “Não basta desburocratizar e reduzir imposto, é necessário casar essas ações com uma política de geração de emprego”, diz. “Falta, por exemplo, incentivo ao microcrédito produtivo.”

Segundo o Data Popular, 45,4% das pessoas de classe média pretendem viajar de avião no próximo ano e 40,3 % querem comprar um automóvel. O estudo mostra também que 42,9% pretendem comprar um imóvel em até dois anos.

Os dados foram divulgados ontem (17/11) em evento que marcou o lançamento do 1º Fórum Novo Brasil, que será realizado em Brasília em março de 2012 e vai discutir políticas para beneficiar essa camada da população.

Ainda segundo o Data Popular, mais de 42 milhões de brasileiros ascenderam à nova classe média nos últimos dez anos. Em 2001, esses consumidores eram 38,6% da população; hoje, são 53,9%. E a expectativa é a de que, até 2014, sejam 58%.

As pesquisas do instituto mostram que a nova classe média teve o poder de compra aumentado em 90,8% nos últimos dez anos, passando de R$ 1,2 trilhão em 2001 para R$ 2,3 trilhões em 2011. Em 2001, o brasileiro emergente consumia 27 categorias diferentes de produtos. Hoje, são 41, número muito próximo daquele consumido pelas classes A e B (43).

As empresas, no entanto, ainda conhecem pouco o consumidor popular. Consideram, por exemplo, que para eles o preço é mais importante do que a qualidade, o que as pesquisas desmentem. “Por isso, as lojas que entendem esse consumidor e vendem produto de boa qualidade têm um relacionamento duradouro com ele”, diz Meirelles.

Os dados do Data Popular mostram, ainda, um certo desconhecimento da população de renda mais alta sobre a que classe pertence. Segundo o estudo, 55% da população de classe AB acham que pertencem à classe média. Também de acordo com o instituto, 48,4% dos brasileiros da elite consideram que houve uma piora na qualidade dos serviços depois do aumento do acesso à população de renda mais baixa.