O Brasil tem capacidade de sustentar uma taxa razoavelmente elevada de crescimento apesar da crise nos países ricos, e para os próximos anos o desafio será aumentar os investimentos através da poupança interna, afirmou nesta segunda-feira o presidente do BNDES, Luciano Coutinho. “O país, nesse contexto (de crise externa), certamente tem capacidade própria, mesmo num cenário adverso, (…) de sustentar uma taxa razoavelmente elevada de crescimento”, declarou Coutinho a jornalistas, durante evento na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no Rio de Janeiro.
Coutinho prevê avanço de 3,5% para o Produto Interno Bruto (PIB) este ano, assim como o governo, “acima da média mundial”, afirmou. A economia brasileira cresceu 7,5% em 2010, em franca recuperação após a crise de 2008 e 2009. Para aumentar a oferta de capital local, Coutinho citou como condição fundamental o aumento do prazo dos financiamentos do sistema financeiro privado, como bancos e mercado de capitais. “É necessário induzir as poupanças privadas hoje ancoradas em instrumentos indexados (à taxa básica de juros) em direção a papéis privados ou a papéis públicos com outro perfil.”
Na opinião de Coutinho, para que isso ocorra, a queda dos juros é essencial. Desde agosto, o Banco Central reduziu a taxa de juros em um ponto percentual, de 12,5% ao ano para 11,5%, mas esta continua sendo uma das mais altas do mundo. O presidente do BNDES acredita que com o aumento da taxa de poupança interna em reais será possível o Brasil atingir uma média de crescimento de 5% nos próximos anos. “Uma dura lição dos anos 1970 foi a de que financiar o investimento em infraestrutura com capital externo traz desequilíbrios”, disse.
Segundo Coutinho, o Brasil não precisará tomar medidas de curto prazo para combater efeitos da crise europeia porque a turbulência atual tem características diferentes da crise de 2008. “Não há a expectativa de ruptura de um banco importante. Todas as expectativas são de que na hora H o Banco Central Europeu estará presente. Isso nos dá a oportunidade de ter uma estratégia mais ligada aos nossos objetivos de longo prazo”.

