O ano de 2011 já pode ser fechado para balanço quando o assunto é emissões de ações. O volume das operações deste ano só foi melhor do que o captado em 2004 e 2005, os dois primeiros da revitalização do mercado de capitais brasileiro. No total, as ofertas de ações somaram R$ 17,9 bilhões, movimentados por 11 aberturas de capital e mais 11 ofertas subsequentes por empresas já listadas. O total deste ano é inferior até mesmo ao acumulado de 2010, excluídos os R$ 120 bilhões da megaoferta da Petrobras.
Banqueiros de investimento admitem que o ano terminou. Entretanto, as expectativas para 2012 são mais otimistas, já que muitos fundos fizeram caixa e ao início de cada ano os gestores estarão com os “taxímetros zerados”.
O presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, afirmou que o cenário externo, por contágio de aversão ao risco, represou cerca de 40 ofertas iniciais de ações. No início do ano, o executivo estimava que as operações poderiam alcançar R$ 55 bilhões, o que faria de 2011 o melhor ano após o boom de 2007, quando foram levantados R$ 70,1 bilhões no mercado brasileiro. Edemir Pinto participou na manhã de ontem (31/10) do seminário “Mercado de capitais e o crescimento das empresas de middle market”, promovido pelo Valor.
Na opinião de Marcelo Trindade, ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o governo precisa decidir “se ele gosta do mercado de capitais ou se ele não gosta”. Isso porque, na visão do advogado, companhia aberta é “tudo de bom”, elas empregam adequadamente, são auditadas e não sonegam. Porém, enfatizou ele, “sem mercado secundário não há mercado primário”. “O governo anda com passos tortos. Às vezes incentiva e, cada vez com mais frequência, desincentiva o mercado de capitais”, avaliou Trindade, durante seminário promovido pelo Valor. Para ele, o discurso oficial parece contraditório com as ações tomadas recentemente. Ele criticou em particular o veto da presidente Dilma Rousseff ao fim da obrigatoriedade das empresas de menor porte de publicar balanços no Diário Oficial, na Lei 12.431/11.
O advogado também criticou o uso de incentivos tributários para o mercado de capitais. Cada vez com maior frequência a utilização de mecanismos desse tipo vem sendo abordada quando discutidas formas de incentivar o mercado de acesso criado pela BM&FBovespa, o Bovespa Mais.
Trindade acredita que o desafio é “convencer o investidor de que uma boa ação preferencial pode ser um bom veículo de investimento”, em especial na fase intermediária de uma companhia, quando esta inicia sua vida no mercado de capitais. A chegada de um sócio, como fundos de investimento em participações, ou vários, representa duas grandes novidades para uma companhia: dividir direitos econômicos e políticos.
A BM&FBovespa tem como meta trazer ao mercado 200 companhias até 2015, principalmente companhias de médio porte. O presidente da companhia, Edemir Pinto, enfatizou que é justamente por deter uma enorme oportunidade de crescimento que a bolsa brasileira é tão bem avaliada internacionalmente. Atualmente, são 467 empresas listadas, que fecharam setembro com uma capitalização bursátil de R$ 2,1 trilhões.
A BM&FBovespa é a terceira maior em valor de mercado no mundo, valendo US$ 12,6 bilhões ao fim de outubro, perde apenas para a bolsa de Hong Kong (US$ 19 bilhões) e para a Chicago Mercatile Exchange (US$ 18,7 bilhões). De acordo com o executivo, a bolsa local concentra 80% das negociações com ações da América Latina e 90% do volume com derivativos.
Edemir Pinto enfatizou que um sinal de que a bolsa brasileira está avaliada pelo seu potencial é a comparação com a Nyse, a maior do mundo em companhias listadas. A Nyse é a 6ª maior bolsa, avaliada em US$ 7,3 bilhões.
O presidente da BM&FBovespa enfatizou que dentre as mil maiores companhias brasileira, com mais de mil funcionários e mais de R$ 400 milhões de vendas anuais entre R$ 100 milhões e R$ 400 milhões e com um quadro de empregados entre 250 e 1 mil.

