Crise na Europa? Situação econômica chinesa é mais relevante para o Brasil, diz analista

Em meio aos temores acerca da crise fiscal que assombra a zona do euro e um cenário de volatilidade e desaceleração econômica, algumas dúvidas rondam as cabeças dos investidores, como qual é a exposição do Brasil às dificuldades pelas quais atravessam os países europeus.

O vice-presidente e o Senior Credit Officer da agência de classificação de risco Moodys, Mauro Leos, disse durante a 13ª Conferência Anual da Moodys que o momento pelo qual atravessam a Grécia e grandes bancos europeus é mais complicado que a crise de 2008 e ressaltou que em períodos de incerteza como este, a liquidez do mercado é de grande importância para garantir sua sobrevivência. A Moodys avalia que a situação econômica chinesa é mais importante para o Brasil do que a crise na Europa. “A economia brasileira, assim como de toda América Latina, que antes era dependente dos Estados Unidos, agora depende mais da China, o grande motor da economia mundial”, afirmou Leos.

Além das relações comerciais com a China, o mercado doméstico brasileiro é um dos principais fatores apontados pelo vice-presidente da Moodys pelo bom momento econômico vivido pelo Brasil e de “grande importância para que o país supere o momento de incertezas” que preocupa diversas economias pelo mundo. “O Brasil leva vantagem em relação a seus pares por possuir um vasto mercado interno, com um poder aquisitivo cada vez maior, diferente de Chile e Uruguai por exemplo, o que colaborou para que o país superasse a crise de 2009 e deve auxiliar no momento atual”, disse.

Para Leos, o Brasil ocupa uma posição de destaque entre os países da América Latina e os demais emergentes, sobretudo por conta a diversificação da economia brasileira, que não é dependente apenas de uma commodity e que essa estrutura vem ajudando o País. Por conta da preocupação com uma provável maior deterioração econômica global, a Moodys avalia que o crescimento dos países da América Latina seja significativamente menor neste ano e em 2012, com o pior cenário imaginado sendo de um desempenho nulo da economia mundial, como em 2009.

A Moodys tem a expectativa de que o crescimento da economia brasileira neste ano fique em torno de 3,1%, enquanto para o ano que vem as estimativas ficam entre 3% e 3,5%, entretanto reforça que, com o atual período de incertezas, qualquer previsão deve ser revista a cada mês.