Teotônio Brandão Vilela Neto, 23, percorre todo mês 2.382 km de Maceió (AL) a Ribeirão Preto (SP) para frequentar as aulas de um curso que promete formar sucessores de empresas familiares. Neto do ex-senador Teotônio Vilela e sobrinho do atual governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB), ele procurou a especialização após herdar a fazenda de gado de corte da família. “Já consegui aumentar a criação de gado de 600 para 900 cabeças, tudo isso sem aumentar a área de produção e apenas usando as técnicas que estou aprendendo no curso de sucessão”, disse.
Pesquisa da PricewaterHouseCoopers (PwC) aponta que 57% das empresas no Brasil devem passar para a mão da próxima geração familiar, mas 45% delas ainda não têm um plano de sucessão para altos cargos. De olho nesse mercado, inclusive, tem sido cada vez mais comum instituições e consultorias montarem cursos de formação de sucessores nas áreas agropecuária, comercial e industrial.
O curso frequentado por Vilela Neto, por exemplo, é inédito na área de gado de corte. Oferecido pela Coan Consultoria, ele tem 200 horas de aula (práticas e teóricas) e custa R$ 6,7 mil. No curso de formação de sucessores da Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), o custo chega a R$ 2 mil por aluno. Os associados têm subvenção de 50% do valor dos cinco módulos.
Já na FGV (Fundação Getulio Vargas), o curso de gestão de empresa familiar oferecido em São Paulo tem 60 horas de aula e custa R$ 3,6 mil à vista ou R$ 3,8 mil parcelado em cinco vezes. “Com tantas mudanças, investidores estrangeiros, tradings, as empresas familiares precisam se especializar para manter-se competitivas. Por isso, cada vez mais, os sucessores têm que se profissionalizar”, disse a sócia da PwC, Ana Malvestio.
A administradora Renata Stein, 45, assumiu a fazenda de gado da família após a morte do pai. Antes, porém, se inscreveu no curso de formação e fechou a escola de gastronomia que mantinha em Goiânia (GO).
Para o presidente da Famasul, Eduardo Riedel, os cursos de formação de sucessores dão embasamento para o herdeiro não receber apenas o patrimônio, mas o negócio. “Antes, a sucessão era patrimonial e agora precisa ser a sucessão de um negócio. As empresas familiares são maioria no Brasil e não têm que ser diferente. Tem que haver profissionalização”. “Sucesso passado não garante sucesso futuro. Por isso os cursos de formação de sucessores estão crescendo”, disse Rogério Coan, diretor da Coan Consultoria.

