Empresas pagam mais por indicação de candidatos

Com a falta de talentos no mercado, mais empresas estão pagando seus funcionários para indicarem profissionais para vagas descobertas. Os prêmios em dinheiro variam de R$ 300 a R$ 4 mil e, em algumas companhias, até 50% das posições já são preenchidas com a ajuda de sugestões internas. Nos últimos dois anos, os valores das recompensas dobraram em organizações que conseguiram, graças à nova prática, economizar até R$ 30 mil, ao ano com serviços de recrutamento.

Na HP, do setor de TI, 43% das vagas são fechadas por meio de recomendações dos empregados, com prêmios que vão de R$ 360 a R$ 2,8 mil. “A estratégia foi adotada nos último cinco anos e, em 2010, cem posições foram ocupadas dessa forma”, afirma Antônio Salvador, vice-presidente de recursos humanos.

O valor do prêmio varia de acordo com o salário do profissional que indica e importância da vaga. Este ano, de janeiro a agosto, a multinacional contratou 77 profissionais por meio de indicações e 30% do total eram para posições de liderança. O método é usado, principalmente, em funções mais críticas, com pouca oferta de mão de obra. “Da gerência sênior para cima, como as responsabilidades são maiores, consideramos também o histórico profissional dos candidatos.”

Segundo Salvador, a prática gerou bons resultados, pois é uma das formas mais eficazes de contratação. “Quando um funcionário indica um nome, já pensa em alguém que se identificará com a empresa”. O objetivo da HP é elevar o percentual de contratações com o modelo de recompensas para 60% nos próximos anos. A área de RH observou que, com o procedimento, a margem de erro nas admissões também tende a cair.

“O aumento do número de indicações foi um dos fatores que ajudaram a diminuir o turnover de 21% para 14% em um ano”, ressalta. Salvador também acredita que é mais barato investir em políticas de indicação do que contratar empresas de headhunting. O objetivo, no entanto, não é reduzir custos, mas aumentar o nível de adaptação dos profissionais que se candidatam, acelerar o engajamento dos funcionários, que reforçam laços com a organização, e preencher colocações com mais rapidez. Com a política de recomendações, o tempo médio de recrutamento caiu de 60 para 42 dias por conta do filtro inicial realizado pelos funcionários veteranos. Hoje, a área de RH recebe de uma a duas indicações para cada vaga gerencial aberta.

Na Ernst & Young Terco, que usa a prática desde 2001, 360 vagas abertas no ano passado foram ocupadas com a ajuda de outros colaboradores, 16% eram posições gerenciais. Este ano, até o mês de julho, 201 colocações na consultoria foram efetivadas dentro do modelo e 14% para cargos de comando. Os pagamentos em dinheiro valem para sugestões de auditores, consultores e até diretores e podem chegar a R$ 4 mil. “Independentemente da forma de recrutamento, o processo seletivo é rigoroso, o que minimiza erros de contratação”, diz Armando Bordallo, diretor de RH da Ernst & Young Terco. O método faz sucesso entre os funcionários. Segundo Bordallo, as equipes têm orgulho de vender a empresa. Prova disso é que, há dois anos, o valor dos prêmios era metade do atual e a empresa pretende aumentar a participação desse formato nos processos seletivos.

A SAP, da área de software, é outra veterana de programas de indicações de profissionais e usa a fórmula há mais de dez anos. “Todas as oportunidades são divulgadas em um portal corporativo, aberto a sugestões”, explica a diretora de RH Paula Jacomo. “É a maior e melhor fonte de recrutamento da companhia.” Metade das vagas na empresa são preenchidas com o método, principalmente nas áreas de vendas, serviços e consultoria.

Segundo Paula, a política ajuda a reduzir a margem de erro nas contratações, pois o funcionário da casa já sabe se o futuro colaborador tem o perfil do time onde vai trabalhar. “As pessoas sentem-se responsáveis pela indicação, tanto do lado da companhia, como pelo novo empregado”.