Crise europeia traz redes hoteleiras para o mercado brasileiro

Enquanto sobe a vacância nos hotéis dos Estados Unidos, da Europa e de países da Ásia, no Brasil os investimentos no setor se multiplicam. As dificuldades econômicas que os europeus enfrentam tornaram-se para o mercado brasileiro uma grande oportunidade: os capitais do mundo rico estão encontrando no aquecido setor hoteleiro local um refúgio seguro e rentável. Exemplo disso, a Equipotel, maior feira do setor no Brasil, que termina hoje, atingiu R$ 4 bilhões em geração de negócios, 5% a mais do que o previsto no primeiro dia de evento.

Entre os problemas de um setor superaquecido, a valorização desmedida do m² em áreas nobres de cidades como São Paulo é destacada por analistas. Carolina Haro, da consultoria Mapie, observa que estes investidores preferem colocar dinheiro em hotéis econômicos no Brasil, pois nestes o retorno dos recursos é mais rápido. “Nosso setor hoteleiro está chegando a um equilíbrio, depois da crise de superoferta do fim dos anos 1990”, comenta Marcos Villas Bôas, da Ábaco Hotelaria. E são os viajantes brasileiros, os consumidores da nova classe média local, que estão alicerçando este bom momento da hotelaria nacional, aponta Rafael Sanches Neto, da consultoria Casa do Gestor.

Grandes redes mundiais, como Accor e Wyndham, anunciam aportes bilionários na expansão de suas operações no Brasil para a construção de novos hotéis, no que são seguidas por cadeias de capital nacional, como a Allia Hotels.