Startup brasileira quer levar catálogo no iPad ao vendedor de loja

Uma startup de software de Porto Alegre começou a oferecer na última quinta-feira (08/09) uma solução móvel que promete finalmente unir os interesses dos varejistas dos mundos físico e online: um catálogo virtual e dinâmico, feito para iPad, e que pode servir tanto como fonte de informação do consumidor móvel quanto para o atendimento do vendedor dentro da loja.

Assim é a plataforma Fluid Objects, criada pela empresa de mesmo nome e que, depois de permanecer por meses sob segredo, começa a ser divulgada. Sua face mais visível é a de um catálogo eletrônico, com fotos, descrições e preços de produtos. Por trás, no entanto, há uma forte conexão com os sistemas de relacionamento com clientes (CRM) e inteligência de negócios (BI). Por isso, um vendedor de loja equipado com um tablet terá mais informação à disposição na hora do atendimento.

A Fluid Objects nasce como resposta a uma situação de mercado que, segundo o sócio-diretor Rodrigo Mazzilli, é no mínimo ineficiente. “Hoje é comum vermos lojas digitalizarem um catálogo para jogar no iPad”, diz. “Essa é uma solução estática e que tem um ciclo de produção longo, já que a produção de um catálogo desses pode levar até três meses. Não é isso o que as pessoas querem. Isso não ajuda a empresa.”

A nova plataforma permite que um catálogo dinâmico de produtos possa ser criado com base em inúmeros critérios, a partir das bases de dados de clientes das empresas varejistas, em tempo recorde e com possibilidade de efetuar compras online, caso o produto não exista no estoque físico da loja. Além disso, os vendedores poderão alimentar a base de contatos com as preferências demonstradas pelos clientes durante sua visita à loja.

Do rascunho ao lançamento da plataforma, foram cerca de oito meses, e o diretor garante que a recepção pelas empresas de varejo, nos momentos em que abriu um pouco de seu trabalho, foi bastante positiva. “Não conhecemos nenhuma empresa brasileira que faça o que nós fizemos”, afirma. A ideia,contudo, surgiu bem antes, em 2006, época em que Mazzilli trabalhou na filial da HP na Alemanha. “Trabalhei em uma solução com tablets PC, feita para as concessionárias Mercedes”, relembra. “A tecnologia ainda não estava pronta. Os tablets PC eram pesados e a bateria durava apenas duas horas, mas o cenário de uso estava ali. Pela placa do carro e por chips RFID, o funcionário da concessionária sabia tudo sobre o cliente que entrava na loja.”

Mazzilli apoia-se em pesquisas que apontam que os tablets, ao contrário dos smartphones, vão “fazer a diferença” em comércio e vendas. “O tamanho do dispositivo, a interação com o aparelho e até os momentos do dia que as pessoas reservam para usar o tablet colaboram para isso”, afirma.

Um estudo de maio de 2011 da empresa de pesquisa eMarketer parece dar razão ao empreendedor. No documento, intitulado “How the iPad is Transforming Retail”, o analista Jeffrey Grau afirma que “a portabilidade, a tela tátil e os gráficos vívidos convida a uma experiência de compra casual e exploratória que leva à descoberta de produtos, à compra por impulso e ao compartilhamento dessa compra.”

A plataforma Fluid Objects tira proveito da suposta disposição prévia dos tablets para e-commerce, mas vai além. “Nas mãos do lojista (por meio do iPad), a plataforma vai permitir que o consumidor possa comprar itens que não estão no estoque da loja física. Além disso, todas as informações que ficariam de fora dos sistemas de CRM, identificação do visitante da loja física, horário de visitação, interesses, idade, geolocalização, passarão a ser visíveis. Tudo isso são informações de negócio que não existem hoje.”

Para os departamentos de marketing dos varejistas, a plataforma Fluid Objects poderá ser utilizada na criação de catálogos personalizados de acordo com os públicos locais, ressalta Mazzilli.