Recuo no País pode ser maior com a crise

O Brasil vai se acomodar aos efeitos da crise na Europa e nos Estados Unidos com crescimento baixo, apesar das mudanças recentes na política monetária: queda da taxa básica de juros (Selic), e na fiscal, aperto adicional nos gastos públicos federais. Esta é a opinião do economista e professor Luiz Gonzaga Belluzzo, em entrevista exclusiva ao DCI. “As ameaças são reais. Dependendo do caráter da crise, o governo terá de mudar a condução da política econômica. O Brasil está colado à economia mundial. Apesar da condição fiscal melhor que a do resto do mundo, o País deve tomar medidas mais drásticas para evitar que problemas lá fora criem uma devastação aqui”, enfatiza Belluzzo.

A valorização cambial é um fator que torna a economia brasileira mais exposta aos reflexos da crise mundial, ressalta o economista. “O que estamos notando com a valorização do real é a estabilidade da produção tornando morna a expectativa dos empresários industriais. Se isso continuar por muito tempo, haverá problemas no futuro. E também não dá para deixar de lado a preocupação com a inflação”, sublinha.

A desaceleração da economia, já sentida no segundo trimestre deste ano, pode ter uma ajuda do Banco Central se o ciclo de queda dos juros continuar. Depois de apresentar um crescimento de 0,8% em relação ao primeiro trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) deve apresentar novos recuos no final do ano. O novo patamar da taxa de juros deverá garantir bom desempenho somente em 2012.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse na última sexta-feira que o Brasil ainda tem espaço para reduzir juros e impostos para garantir avanço de 5% do PIB no ano que vem, mesmo com a deterioração da economia mundial. “Nós temos um arcabouço de medidas, na área monetária e fiscal, que podem ser tomadas para auxiliar na recuperação da economia”, disse.

O dado positivo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foi o avanço de 1,7% dos investimentos, principalmente os feitos pelo setor privado, entre abril e junho, em relação ao primeiro trimestre.