Carga tributária deve superar 36% do PIB

A arrecadação de todos os impostos (federais, estaduais e municipais) pagos pelos contribuintes brasileiros deve chegar à marca de R$ 800 bilhões amanhã. É o que mostrará o Impostômetro, ferramenta criada pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) e mantida pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP). De acordo com estas entidades, esse patamar de receita será alcançado em 22 de agosto, com 31 dias de antecedência em relação a 2010.

Desta forma, o coordenador de estudos do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral, prevê que a arrecadação em 2011 chegará a R$ 1,4 trilhão, cerca de R$ 200 bilhões a mais do que a dos doze meses de 2010. O IBPT calcula que a carga tributária atingiu 35,04% do Produto Interno Bruto (PIB) ano passado – o resultado oficial ainda não foi divulgado. Para 2011, o instituto espera um avanço ainda maior. Se a economia crescer 4%, conforme o esperado, e o total das receitas atingir R$ 1,4 trilhão, a carga tributária chegará a 36,6% do PIB neste ano.

Frente a este cenário, o governo ensaia mais uma tentativa de reformar o sistema tributário. A proposta da equipe econômica é implementar aquela que o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, chamou de “reforma fatiada”.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, por exemplo, acredita que a desoneração da folha de salários em todos os setores pode prejudicar as finanças públicas, motivo pelo qual uma solução, na sua opinião, é começar a retirada dos tributos pela indústria. “Se a desoneração atingir todos os setores, o impacto [nas contas públicas] seria de R$ 90 bilhões. Se a medida ficar só na indústria, esse prejuízo seria menor [R$ 18 bilhões], o que facilitaria para o governo”, justificou.