EUA abandonam planos de retirada do Afeganistão em 2011, diz jornal

O governo norte-americano decidiu abandonar o prazo de julho de 2011 como marco do início da retirada das tropas no Afeganistão, segundo informações de militares de alta patente citados pela rede de jornalismo “McClatchy”. De acordo com as fontes, que falaram em condição de anonimato, a nova política deve começar a ser exposta publicamente na próxima semana, durante uma conferência de países da Otan em Lisboa (Portugal), na qual a administração do presidente Barack Obama pretende trabalhar com uma data de retirada fixada em 2014.

O novo cronograma esvazia o discurso feito por Obama no final de 2009, ocasião na qual o comandante-em-chefe anunciou o envio de mais soldados ao Afeganistão com o argumento de que a iniciativa permitiria “acelerar a transferência de responsabilidade às forças afegãs e iniciar a retirada de nossas tropas em julho de 2011”. O novo prazo de 2014 seria a data estimada pelo presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, para que os militares nacionais tenham condições de controlar a segurança do país.

Segundo a “McClatchy”, o Pentágono estaria inclinado a evitar as datas específicas e pretenderia trabalhar com uma definição mais ampla de “transição”. Internamente, as mudanças de cronogramas já eram consideradas, e são consequência de uma percepção dos militares americanos de que as condições no Afeganistão não parecem permitir uma retirada rápida, acrescenta o jornal.

“Em nossas avaliações, nos perguntamos quando seria possível uma transição completa para os afegãos se continuarmos avançando neste ritmo. E descobrimos que não conseguiremos fazer isso até julho de 2011”, afirmou uma autoridade militar. “Então sentimos que não poderíamos nos focar em julho de 2011, mas no período que levaria a transição toda”.

Tirar a ênfase desta data limite também permitiria maior flexibilidade para o governo dos EUA atuar no Afeganistão, afirmaram as autoridades. O aumento no poder de influência dos republicanos nas eleições legislativas das últimas semanas nos EUA também alivia as pressões pela retirada, segundo avaliação do jornal.