Associação Luso Brasileira de Bauru é vendida por R$ 15,4 milhões

Após uma série de negociações e tentativas de manter propostas em sigilo, a sede social da Associação Luso Brasileira de Bauru, no interior paulista, finalmente foi vendida. Um conglomerado de empresas, do qual fazem parte inclusive grupos internacionais, comprou a área de 17 mil m² por R$ 15,4 milhões.

Em reunião realizada na última quinta-feira (21/10) com a diretoria do clube para a assinatura do contrato de compromisso de compra e venda do imóvel, a empresa Vitórias Participações, representante do negócio, informou que deverão ser investidos mais de R$ 300 milhões para a instalação de um empreendimento multiuso no local, que englobará um shopping, um hotel e ampla área comercial. “Para isso, as construções existentes terão de ser demolidas. Vamos começar do zero, o que só deverá acontecer a partir do segundo semestre de 2011”, adiantou Narciso Alonso Filho, sócio-proprietário do Vitórias, grupo de São Paulo especializado no ramo de construção de shoppings, hotéis e prédios comerciais.

Advogados e representantes da empresa que estiveram em Bauru preferiram não estabelecer prazo para que o complexo fique pronto, mas a expectativa, de acordo com o cronograma de obras, é de que seja concluído em meados de 2013. “Vai ser o maior projeto arquitetônico do Interior. Não tem nada que se compare em termos de tecnologia, de aproveitamento do espaço e sustentabilidade. No longo prazo, a tendência é a gente colocar um empreendimento desse em cada grande cidade do Estado de São Paulo”, afirmou o também sócio-proprietário David Leon Rubinsohn.

Embora o projeto já esteja pronto, o início das construções dependerá ainda de aprovação em assembleia geral com os associados da Luso. As condições do contrato deverão ser submetidas à votação em 11 ou 12 de dezembro e dependerá da aprovação de, pelo menos, 50% dos sócios presentes mais um.

Conforme apurou o JC, a assembleia será realizada apenas nesta data, com possibilidade de ser adiantada ou atrasada em algumas semanas, porque, neste intervalo, a diretoria executiva deverá contatar os associados para convencê-los sobre a necessidade e as vantagens que serão obtidas com a venda da sede. Segundo o presidente do clube, José Ângelo Oliva, o prazo também servirá para que a documentação restante para a efetivação da venda também seja providenciada.

Para que os trâmites burocráticos sejam concluídos, durante a assinatura do contrato de compromisso, os compradores adiantaram R$ 100 mil à Luso. “Temos que correr com alguns papéis porque a família Martha havia feito a doação de parte da área da sede social da Luso sob a condição de que nela fossem mantidas atividades sociais e esportivas. Agora, teremos que transferir essa exigência formalmente para a sede de campo”, frisa o presidente.

Paralelamente, a empresa compradora deverá enviar o projeto da construção de um shopping no local para aprovação da prefeitura, processo que poderá demorar mais de seis meses para ser concluído. Por esse motivo, a ideia é que as atividades do clube sejam mantidas integralmente pelo menos até junho de 2011.

Após os R$ 100 mil oferecidos como sinal, se a venda for aprovada em assembleia, em janeiro a empresa deverá pagar o maior montante dos R$ 15,4 milhões combinados, mas o valor desta quantia não foi revelado. As demais parcelas serão quitadas nos próximos meses e serão encerradas antes que 2011 termine.

As negociações para a venda da sede social da Luso foram iniciadas há um ano. Na época, o clube chegou a receber cinco ofertas de compra, extraoficialmente, de cerca de 6,8 mil m² de área, que deveriam render algo em torno de R$ 6 milhões. Já em março de 2010, a diretoria do clube iniciou diálogo com uma construtora de São Paulo para a mesma área, correspondente a cerca de 40% da metragem total do terreno. Entretanto, nenhuma das negociações avançaram.