A nova aposta da Cielo para atrair varejistas é permitir que o POS (a máquina que passa o cartão) sirva de meio para fidelizar o cliente através de cadastros on-line e promoções. Segundo o presidente da Cielo, Rômulo Dias, ao invés do cliente juntar cupons para ganhar algo grátis após uma série de compras, por exemplo, o sistema da Cielo registrará cada aquisição eletronicamente e informará no comprovante da operação quantas compras já foram feitas. “Não será preciso guardar o papelzinho, pois as compras estarão sempre registradas”, explicou Dias, que participou hoje de um seminário do setor em São Paulo.
A iniciativa está em fase de testes com pequenos e grandes varejistas e de deve ser oficialmente anunciada ainda este mês. Um dos parceiros é a Cacau Show, revelou o presidente da Cielo.
O fim da exclusividade entre credenciadoras e bandeiras de cartões, em julho, acelerou a criatividade das maiores empresas do país, Cielo e Redecard. As duas têm investido principalmente em serviços e no uso de celulares para pagamento (substituindo o plástico) e processamento da transação (substituindo o POS).
Para Dias, a oferta de serviços vai se tornar um diferencial cada vez mais importante. Em parceria com o Banco do Brasil, a Cielo também está com uma promoção, até novembro, chamada “Dois passos do paraíso”, que sorteia prêmios de R$ 100 a R$ 100 mil para os clientes que pagarem com o Ourocard usando o POS da Cielo.
A Redecard também se movimenta para oferecer mais serviços ao consumidor e incentivar o uso do seu POS pelo lojista. No mês passado, a credenciadora anunciou parceria com a Multiplus, que gerencia o programa de milhagens da TAM. Com isso, os clientes podem consultar seu saldo e ganhar e resgatar pontos por meio da maquininha da Redecard.
Outra estratégia da Redecard é processar cartões de bandeiras regionais e internacionais, enquanto a Cielo tem focado mais nas três grandes, Visa, Mastercard e American Express. Além da americana Discover, o POS da Redecard passará a aceitar também a bandeira asiática China UnionPay no início de 2011. O objetivo é aumentar o potencial de venda dos lojistas diante do maior fluxo de estrangeiros para o Brasil, tendo em vista também a realização da Copa (2014) e das Olimpíadas (2016). “Temos 21 bandeiras. Nossa estratégia é oferecer combos de cartões para o varejista, de acordo com suas preferências”, contou o presidente da Redecard, Roberto Medeiros, que também participou do seminário.
Em setembro, Cielo e Oi anunciaram a criação de uma joint venture, apostando no aumento do uso do celular como veículo para processar pagamentos. Redecard e Vivo já firmaram parceria similar, com o Itaú, para que os telefones celulares dos consumidores sejam usados como cartão de crédito, substituindo o dinheiro de plástico. A iniciativa ainda está em fase de testes e não há previsão de lançamento comercial.
Tentando se diferenciar das líderes de mercado, Santander passou a atuar este como credenciadora, com foco em pequenos e médios varejistas. A estratégia é integrar os serviços bancários e de processamento de operações de cartão de crédito. “Lavoisier está aí, né? Estamos aí para copiar com inteligência”, disse Rômulo Dias, em referência a regra de Antoine Lavoisier: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.

