Apesar de concordarem que a gestão horizontal é uma tendência, especialistas assinalam que a redução dos níveis hierárquicos, que já são enxutos em pequenas e médias empresas, pode impactar projetos e resultados. “Para haver planejamento, alguém precisa olhar o negócio de cima, definir seus objetivos e traçar metas”, diz Luis Taniguchi, proprietário da consultoria Tani Brasil.
O professor da FGV Management Ricardo Franco Teixeira concorda. “O aspecto negativo da descentralização é sobrecarregar pessoas que deveriam pensar a empresa estrategicamente, envolvendo-as numa teia de atividade mais operacionais.” Segundo Teixeira, se o movimento de horizontalização for intenso agora, ocorrerá, mais tarde, um movimento na direção contrária, para suprir uma possível falta de planejamento e gestão.
Principalmente, assinala Taniguchi, quando se fala em pequenas e médias. Para ele, as empresas brasileiras engatinham quando o tema é gestão. “O que se tem aqui é administração do dia a dia, mais técnica e de atuação direta, sem planejamento.”
Mas os impactos da redução na estrutura do negócio são instantâneos. Em termos de redução de custos, o reflexo é imediato. A produtividade dos colaboradores aumenta.
Esses são alguns dos motivos pelos quais o achatamento da pirâmide hierárquica é uma “demanda natural”, destaca o sócio-diretor da Muttare Consultoria, Tatsumi Roberto Ebina. O especialista também assinala que o sistema atual de gestão, ao qual chama de “comando e controle”, inibe a equipe de fazer mudanças, engessando a máquina. “Hoje, temos muitas estruturas de comando porque a organização não confia em seus trabalhadores”, afirma.
Em muitos casos, essa mudança, que para Ebina é latente, requer um processo de pesquisa com intenção de investigar se as pessoas estão preparadas para alterar o seu dia-a-dia e quais são as melhorias imediatas que isso poderá trazer à empresa. A estrutura hierárquica está diretamente ligada à cultura da empresa e sua alteração imediata pode trazer problemas de fluxo e operação.
O sócio-diretor da consultoria de recrutamento Eigenheer Associados, Frederico de Mello Eigenheer, faz a analogia da implementação de um modelo enxuto com a de um software estrangeiro de gestão em empresas brasileiras há alguns anos. “O programa definia que o processo de trabalho seria de um jeito, mas as empresas trabalhavam de outro. Começar de outra forma gerou diversos problemas”, lembra.

