Quando Solange Antunes, 30, entrou em sua casa, viu os móveis e o chão cobertos por bolinhas de um líquido prateado que seus filhos de oito e dez anos haviam achado num terreno municipal e derramaram ao brincar. Poucos dias depois, no final de junho, eles e os outros quatro irmãos começaram a ter febre, diarreia, vômito e irritações na pele; estavam contaminados por mercúrio.
As crianças levaram as bolinhas para a escola e ajudaram inadvertidamente a espalhar uma contaminação que expôs mais de cem pessoas no distrito Primavera, em Rosana (748 km de SP). Duas filhas de Solange correm risco de ter danos neurológicos irreversíveis. O mercúrio é tóxico, causa danos ao sistema nervoso e pode ser fatal, se inalado em grande quantidade.
O terreno onde as crianças acharam cerca de 20 frascos, ou um quilo e meio, de mercúrio metálico numa sacola de lixo era usado como depósito de entulho pela prefeitura. A área foi interditada pela Cetesb (agência ambiental de SP).

