Pesquisa da MasterCard mostra hábitos financeiros das classes C e D

O dinheiro continua sendo a forma preferida de pagamento pelas classes C e D no Brasil. E isso se explica, em parte, pelo fato de que apenas 46% da população desses segmentos é bancarizada. Essa é uma das conclusões do estudo encomendado pela MasterCard ao Instituto Ipsos com o objetivo de conhecer os hábitos e atitudes do público de baixa renda em relação ao uso dos meios eletrônicos de pagamento e consumo em geral.

De acordo com a pesquisa, realizada em sete municípios brasileiros*, 27% dos entrevistados possuem somente cartão de débito, enquanto 25% detêm somente cartão de crédito. Já ao analisar apenas a relação dos bancarizados das classes C e D com produtos financeiros, a pesquisa concluiu que 80% possuem cartão de débito; 69%, conta corrente; 52%, poupança; e 49%, cartão de crédito. O dinheiro, porém, continua tendo um papel importante na vida desses consumidores, que destinam uma média de R$ 47 por mês para o uso do cartão de débito e de R$ 100 para o cartão de crédito.

Ciente dessa situação, a MasterCard está lançando uma série de iniciativas que têm como objetivo mudar o comportamento do consumidor em relação aos meios eletrônicos de pagamento, especialmente o cartão de débito, cuja utilização ainda é bastante baixa. “A MasterCard enxerga enorme potencial a ser explorado com o cartão de débito no País e está fazendo algumas mudanças estratégicas que estimularão o uso, especialmente para transações de menor valor, e a aceitação do produto nos comércios “, explica Maurício Alves, vice-presidente de produtos da MasterCard Brasil.

“Embora a estabilidade econômica tenha alimentado a expansão do mercado de crédito e de produtos financeiros como os meios eletrônicos de pagamento, este é um segmento que ainda apresenta muitas oportunidades de crescimento, especialmente nas camadas de menor renda da população”, completa o executivo.

De acordo com o estudo da MasterCard, 55% dos bancarizados e 98% dos não bancarizados recebem seus rendimentos em dinheiro. Isso se reflete na forma como são feitos os pagamentos. Números do Banco Central mostram que o dinheiro em espécie é largamente utilizado para pagamentos de baixo valor, relacionados com as pequenas compras do dia-a-dia. Nessas situações, o dinheiro responde por cerca 77% dos pagamentos efetuados por pessoas físicas. “Ao analisar os resultados da pesquisa, notamos que, apesar de um percentual relevante das classes C e D ter acesso a algum tipo de produto financeiro, a maioria não o utiliza, e isso acontece, muitas vezes, por falta de conhecimento de que o pagamento com cartões de débito e crédito é muito mais prático e conveniente e ainda ajuda o consumidor a ter maior controle de seus gastos”, completa Alves.

“Entre as principais barreiras para o crescimento do débito no Brasil estão fatores culturais, como o costume de andar com dinheiro em papel moeda no bolso, falta de conhecimento de taxas e tarifas e o receio de perder o controle dos gastos”, enfatiza Alves. “O mercado de meios eletrônicos de pagamento, principalmente no que diz respeito ao cartão de débito, ainda tem muito espaço para crescer, mesmo entre os bancarizados; já os 54% das classes C e D que ainda não são bancarizados poderiam tornar-se com uma oferta de produtos mais adequada às suas necessidades”.

A pesquisa da MasterCard também identificou os principais segmentos para a expansão dos meios eletrônicos de pagamento no Brasil: pequenos comércios, como mercearias, cafés; farmácias; bares, casas noturnas, segmento de saúde como médicos, dentistas; de educação, como universidades e escolas e os prestadores de serviço em geral.