Brasil precisa investir 5% do PIB em infraestrutura de transporte, diz especialista

Entre os países integrantes do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil aparece em último lugar em infraestrutura de transporte. Para reverter essa situação, o CEO do Ilos (Instituto de Logística e Supply Chain), Paulo Fleury, afirmou durante um encontro na Amcham (Câmara Americana do Comércio) que o País tem de investir cerca de 5% do PIB (Produto Interno Bruto) neste setor nos próximos cinco anos.

Ele acredita que essa medida é necessária para acabar com o deficit de obras e manutenções, além de expandir os modais rodoviários, aeroviários, hidroviários e dutoviários. “O País está com um problema sério. Como ficamos 20 anos sem os investimentos necessários em infraestrutura, há um gap a ser coberto e, além disso, precisamos criar condições para assegurar o crescimento econômico”, diz.

Sobre a malha rodoviária, o especialista disse que, além de reduzida, é considerada problemática, já que, de 1,76 milhão de quilômetros de estradas, somente 212 mil são pavimentados. De acordo com um estudo realizado pelo Instituto Ilos, a nota de avaliação da infraestrutura do País foi 5,2, em uma escala de zero a 10. O modal aéreo conquistou a melhor nota, de 6,6, e o ferroviário foi o que teve a pior avaliação (4,2).

Os dados apontaram ainda os mais importantes projetos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). O destaque foi o Rodoanel, apontado por 78% das empresas de logística, seguida pela duplicação da BR-101, com 76%. Ainda foram citados a Ferrovia Norte-Sul (72%), as dragagens portuárias (57%) e a Ferrovia Oeste-Leste (48%), além de obras de ampliação do aeroporto internacional de Guarulhos e o Trem de Alta Velocidade (42%).

No encontro, os empresários analisaram o cenário atual de infraestrutura brasileira e indicaram maneiras de aumentar a competitividade e diminuir os entreves do setor. Eles declararam que avanços na intermodalidade são fundamentais e exigem a utilização estratégica dos modais de acordo com as necessidades dos negócios e a realização de obras para conexão entre os diferentes tipos de transportes. “Precisam ser formadas parcerias entre empresas, operadores logísticos e governos para instalar e alavancar uma operação que permita utilizar a capacidade de outros modais”, disse o gerente de Desenvolvimento de Negócios da operadora logística DHL, Ricardo Ubiratan.

O gerente de Transportes da Procter & Gamble, Luiz Rodrigo Fernandes, acrescentou ainda que o transporte rodoviário se tornou uma necessidade para se distribuir dentro dos grandes centros, como uma forma prática e rápida para se deslocar.