Embora a oferta de crédito tenha aumentado nos últimos anos e os níveis de inadimplência, no momento, não apresentem riscos, o crescimento do crédito do País ainda não acontece de forma sustentada. A afirmação foi feita nesta quarta-feira (01/09) pelo presidente da Serasa Experian, Ricardo Loureiro, durante o C4 – Congresso de Cartões e Crédito ao Consumidor.
“Para garantir que esse crescimento não apresente riscos para o Brasil, é de fundamental importância que se invista em educação financeira para o uso do crédito. Além disso, é muito importante que a gente consiga instaurar no País o cadastro positivo, pois, com ele, temos condições de conhecer melhor quem está recebendo crédito. Eu defendo que a concessão seja acompanhada de perto com medidas prudenciais para evitar possíveis riscos”, afirma o executivo.
Para ele, no atual cenário, há risco de que a inadimplência atinja níveis prejudiciais. “Por isso, defendo as medidas prudenciais. Eu acredito que há renda suficiente para a oferta de crédito atual, mas podemos, sim, chegar a um nível de estresse grande. As medidas são fundamentais para evitarmos a tão falada e temida bolha”.
Números do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgados na terça-feira (31/08) revelam que, em agosto, 54% das famílias brasileiras estavam endividadas. Loureiro afirma, porém, que esse endividamento não preocupa. “O endividamento não é ruim, desde que haja condições dele ser pago”, afirma. E completa: “Temos uma carreira de endividamento crescente, que é o que nós queríamos mesmo. O desenvolvimento econômico de um país acontece pelo endividamento, porque ele ativa a economia”.
O presidente garantiu ainda que, embora haja risco de inadimplência, o Brasil não tem interesse em contingenciar o crédito, como se fez no passado, para evitar níveis elevados de não pagamento. “O que precisamos é agregar novas ferramentas e infraestruturas que promovam a oferta de crédito de forma sustentável”.

