Cresce o número de pequenos investidores na Bolsa; consultores divergem sobre resultados

Um novo tipo de investidor chega à Bolsa de Valores. São os investidores que aplicam cerca de R$ 2 mil, e só. Não fazem grandes aportes mensais e esperam fazer dinheiro no longo prazo. A estratégia não é errada. Mas é questionada por consultores financeiros. Primeiro, porque ações implicam risco. Segundo, porque as taxas cobradas podem invalidar a rentabilidade da aplicação. “O investidor deve prestar atenção nas taxas. Uma corretagem de R$ 20 em uma ordem de R$ 100 significa 20% e ainda haverá taxa de custódia que pode ser de mais R$ 10 por mês, por exemplo”, diz o educador financeiro Mauro Calil.

De acordo com uma pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV) feita para a BM&FBovespa, boa parte de novos investidores que entraram na Bolsa nos últimos anos compraram, no máximo, R$ 2 mil em ações. A pesquisa apurou que havia 861.720 contas de pessoas físicas na Bovespa entre janeiro de 2005 e dezembro de 2009. Deste total, 58% passaram a investir em ações a partir de setembro de 2007. Segundo a BM&FBovespa, metade desses investidores aplica menos de R$ 2 mil por mês, quando aplica.

A questão é: com este investimento relativamente baixo não seria melhor aplicar em títulos públicos ou mesmo em caderneta de poupança? “Pois é. Melhor seria ir para a renda fixa”, diz a sócia diretora da Kodja, Claudia Kodja. “A saída é pleitear descontos na corretagem. Por isso, investir via corretora pode ser mais barato do que por fundo ou clube de investimento. Há mais chances de negociação”, afirma. Kodja diz ainda que, se o investidor tiver apenas R$ 1 mil ou R$ 2 mil para aplicar, a Bolsa pode não ser o melhor lugar. “Além de ser um investimento relativamente caro é arriscado.”

O ideal é que o investidor que está na Bolsa faça aportes regulares. “Tudo depende da realidade de cada um. Mas o melhor é investir uns R$ 1 mil por mês”, afirma Mario Bello, gestor da Solo Investimentos. O responsável pelo home broker da corretora Spinelli, Rodrigo Puga, diz que investindo todos os meses, o aplicador tende a acertar mais. “Assim, não há momento errado”, afirma Puga. Segundo ele, os pequenos investidores querem o mesmo que os grandes: ter o máximo de rentabilidade. “E a Bolsa deu duas vezes mais lucro que a renda fixa desde o lançamento do Plano Real”, diz Puga.

Para Fernando Meibak, CFP e Sócio-Diretor da Moneyplan Consultoria, investir pouco na Bolsa é melhor do que nada. “A economia brasileira está crescendo e as empresas apresentarão expansão de lucros. É muito recomendável, portanto, que as pessoas invistam em Bolsa”, diz Meibak. Para reduzir a exposição ao risco, os pequenos investidores devem pensar no longo prazo. “Não se deve ter visão de lucros rápidos”, afirma Meibak.