Família de Mércia Nakashima faz manifestação para lembrar três meses da morte da advogada

Uma manifestação em frente ao Tribunal de Justiça de São Paulo, no centro da capital, lembra nesta sexta-feira (20/08) a morte da advogada Mércia Nakashima, que desapareceu no dia 23 de maio e teve o corpo encontrado no dia 11 de junho em uma represa em Nazaré Paulista (64 km de SP). O ex-namorado, o também advogado Mizael Bispo de Souza, responde pelo homicídio.

Familiares e amigos da advogada divulgaram panfletos para convidar a população a comparecer às 14h00 no tribunal. No dia seguinte, a família também realiza missa na Igreja Matriz de Guarulhos (Grande São Paulo), às 08h00, e uma caminhada às 09h00 pelas ruas da cidade. “Além das camisetas, os manifestantes estarão com cartazes e faixas pedindo que se faça justiça”, afirmou Claudia, irmã da vítima. Segundo ela, cerca de 2 mil camisetas com a foto de Mércia já foram distribuídas aos participantes. As manifestações também são contra os habeas corpus concedidos aos dois suspeitos pelo crime: Mizael Bispo e o vigia Evandro Bezerra da Silva respondem pelo homicídio em liberdade.

De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público, Mizael matou Mércia porque não se conformava com o fim do relacionamento entre ambos, tendo sido ajudado no crime pelo vigia. A Justiça aceitou a denúncia de homicídio, mas rejeitou a acusação por ocultação de cadáver. O MP entrou com um recurso na última sexta-feira (13/08).

Nele, o promotor de Justiça Rodrigo Merli Antunes sustenta que “pelas circunstâncias apuradas no inquérito policial, o desiderato dos recorridos (Mizael e Evandro) era não só matar a vítima, como também ocultar o seu corpo”. “Caso contrário, não procurariam esconder os vestígios do crime e todo o corpo de delito, arremessando em local ermo e numa represa profunda, não só a vítima, como também seu automóvel e demais bens pessoais”, completou Antunes.

Mércia foi vista pela última vez no dia 23 de maio da casa dos avós em Guarulhos. Foi encontrada morta em 11 de junho na represa de Nazaré Paulista. Segundo a perícia, a advogada foi agredida, baleada, teve a mandíbula quebrada e morreu afogada dentro do próprio carro no mesmo dia em que sumiu. Para denunciar Mizael e Evandro, o promotor do caso alegou que as provas determinantes foram a quebra do sigilo telefônico e os depoimentos contraditórios do vigia.

Mizael tinha um celular, registrado em nome de terceiros, com o qual conversou 16 vezes com o suposto comparsa no dia do crime. Além disso, a polícia descobriu que, sempre que falava com o vigia, voltava a ligar para a ex-namorada.