Brasil é o segundo que menos interfere no câmbio entre países do Bric, diz CNI

Apenas a Índia, entre os chamados Bric (grupo das principais economias emergentes do mundo, composto por Brasil, Rússia, Índia e China), apresentou uma interferência governamental menor no câmbio do que o Brasil entre maio de 2008 e maio de 2010. Isso é o que mostra estudo divulgado nesta quarta-feira (11/08) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

De acordo com o levantamento, que estabelece um cálculo sobre o índice de intervenção dos governos do Bric para valorizarem ou desvalorizarem suas moedas no período, o Brasil teve um grau médio de intervenção no câmbio de 0,514 ponto. O índice varia de zero, quando o câmbio é totalmente livre, até um, que denota o câmbio totalmente fixo. A Índia encerrou o período com um índice de 0,048 ponto. Rússia teve um índice de 0,708 ponto e a China, criticada pelos Estados Unidos por manter o yuan desvalorizado de forma artificial, um índice de 0,866 ponto.

O estudo traça as atuações cambiais dos governos em um momento de enfrentamento da crise econômica mundial. Segundo a CNI, a Índia foi menos afetada pela saída do capital estrangeiro durante a turbulência nos mercados, o que também exigiu menos medidas governamentais nas cotações da moeda.

A CNI divulgou também um indicador de turbulência no mercado de câmbio no período entre maio de 2008 e mesmo mês de 2010. O índice de Índia ficou em 0,020 ponto, um pouco acima da China, que registrou índice de 0,018. Segundo a CNI, o resultado da China mostrou baixa turbulência dada a interferência do governo no câmbio. Quanto mais próximo de um o indicador chegar, maior a turbulência. Nessa medida, o Brasil teve um índice médio de turbulência cambial de 0,074, atrás apenas da Rússia, que ficou em 0,150 ponto.