Fundo de renda fixa só compensa com taxa de administração inferior a 2%

A poupança compete diretamente com fundos de renda fixa, uma vez que ambas as modalidades são voltadas para um público de investidores mais conservador. Porém, os aplicadores devem ficar de olho na Selic para saber quando vale a pena colocar seu dinheiro em cada uma delas. Com a taxa básica de juro a 10,75% ao ano, qual será a melhor opção?

A resposta depende de alguns fatores. Quem está na poupança não paga nenhuma taxa administrativa nem tributo, enquanto quem está no fundo sofre incidência de imposto de renda regressivo, conforme o tempo de aplicação, e taxa de administração, fatores que devem ser colocados na ponta do lápis para saber se vale a pena estar em uma aplicação ou em outra.

O rendimento da poupança em julho foi de 0,5614%, tendo em vista o atual patamar da taxa Selic. Neste caso, estar em um fundo de renda fixa só se torna vantajoso se a taxa de administração cobrada for inferior a 2%. De acordo com a professora da Fundação Getulio Vargas (FGV), Myrian Lund, o problema é que esta taxa não está acessível ao pequeno investidor. “Se você for olhar o pequeno investidor, a taxa de administração está mais para 3%”, conta. Últimos dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), referentes ao mês de junho deste ano, mostraram que a taxa de administração média dos fundos de renda fixa ficou em 0,87%, embora o pequeno investidor não encontre isso.

O investidor deve analisar o montante inicial para saber se vale a pena ficar em um fundo de renda fixa ou na poupança. Isso porque, quanto mais dinheiro ele tiver aplicado, mais ele terá acesso a fundos com taxas de administração menores, o que faz com que a modalidade possa se tornar mais vantajosa do que a própria poupança. “A recomendação por valor é, se tiver até R$ 20 mil, fique na poupança”, afirmou Myrian. Em uma análise no portal dos bancos, ela encontrou muita divergência em relação ao que as instituições cobram de taxa de administração e ao montante inicial, o que mostra que o aplicador deve pesquisar.

Se quem vai começar a investir agora deve se preocupar com essas variáveis, Myrian disse que para aqueles que já estão no mercado, o melhor é não migrar. “Para o pequeno investidor, não tem como trabalhar nessa linha sem pensar nas mudanças do cenário econômico”, ressaltou a professora da FGV. Isso porque o que se espera é que a Selic venha a cair já no próximo ano e, então, alguém que está no fundo migra para a poupança e depois volta acaba pagando imposto de renda, o que torna a rentabilidade não tão vantajosa quanto poderia ser.

No fundo de renda fixa, o investidor paga imposto conforme o prazo da aplicação, o que também influencia no retorno frente à poupança. Por isso, o aplicador deve ficar de olho em quando precisará do dinheiro.