Voos da Gol representam maioria dos atrasos em todo o país

Dos 340 voos domésticos programados em todo o país nesta terça-feira (03/08), 19,1% (65) tiveram atraso do período entre a 00h00 e as 07h00, segundo balanço da Infraero, estatal responsável pelos aeroportos. A empresa aérea Gol é a maior responsável pelos atrasos, com 57 de seus 148 voos partindo fora do horário estabelecido. Onze voos foram cancelados até as 07h00 desta terça.

Em nota, a companhia disse que os voos da empresa vêm sofrendo cancelamentos e atrasos além do normal desde a sexta-feira por conta do intenso tráfego aéreo causado pelo fim das férias escolares e pelos remanejamentos de voos do Aeroporto de Congonhas, que fecha as 23h, para o Aeroporto de Guarulhos. “A situação, desenvolvida num fim de semana de pico de movimento, com retorno de férias escolares, ocorreu num momento em que a empresa finalizava a implementação de um novo sistema de processamento das escalas dos pilotos e comissários”, completou a companhia. “Algumas tripulações atingiram o limite de horas de jornada de trabalho previsto na regulamentação da profissão e foram impossibilitadas de seguir viagem, gerando um efeito em cadeia.”

Segundo o comandante Gelson Fochesato, presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), o alto índice de atrasos é reflexo de um acordo feito nos últimos dias entre a companhia e o sindicato. Fochesato afirmou que, depois de três reuniões com a categoria, a Gol concordou no dia 26 de julho em alterar o formato da escala e reduzir o número de voos para cada tripulante a partir de hoje. “Em julho, acontecem muitos voos extras. As companhias fretam aviões para agências de viagens, há voos de férias. E eles não levam em consideração a capacidade da tripulação. Em agosto, isso deve melhorar, mas o acordo é de que agora os voos extras só serão aceitos dentro da capacidade”, disse.

A Anac informou que pediu explicações a Gol sobre os atrasos e cancelamentos e afirmou que está acompanhando a normalização da situação. Segundo a agência, caso o passageiro não seja atendido pela companhia aérea, ele pode registrar queixa pelo 0800 725-4445 ou pelo site: www.anac.gov.br/faleanac.

De acordo com a Lei do Aeronauta (Lei 7.183/84), por questões de segurança operacional, um tripulante de avião a jato não pode exceder 85 horas de voo por mês, 230 horas por trimestre e 850 horas por ano. O texto também impede que a tripulação que cumpriu três horas de jornada entre 23h00 e 06h00 viaje na madrugada do dia seguinte.

Já para o comandante Carlos Camacho, diretor do SNA, as empresas aproveitam uma falha no texto da regulamentação da categoria e obrigam os tripulantes a trabalhar durante várias madrugadas seguidas. “As empresas se apropriaram de uma falha na regulamentação que permite uma interpretação segundo a qual só não podem ser escalados na madrugada seguinte os tripulantes que voltaram à sua base. O problema é que muitas vezes os trabalhadores viajam de madrugada, mas não voltam para sua base, vão para outras cidades”, diz. “Mas o que está em questão é a condição física do ser humano, e não a cidade para onde o tripulante vai”, afirma.

De acordo com Camacho, o site do SNA recebeu, até por volta de 16h00 de segunda-feira (02/08), 845 denúncias de funcionários contra empresas aéreas. Por conta da mobilização contra a Gol, só no mês de julho foram 330 denúncias.