O Comitê de Política Monetária (Copom) divulgou a ata da reunião de julho, que aponta os sinais de que a economia “tem se deslocado para uma trajetória mais coerente com o equilíbrio de longo prazo”. Para os diretores da autoridade monetária, o deslocamento da economia tem como efeito um arrefecimento dos riscos para a evolução da inflação.
A ata aponta que na próxima reunião do Copom pode haver outro aumento, mas esta alta pode marcar o fim do ciclo de aperto monetário. “As perspectivas para a evolução da atividade econômica doméstica continuam favoráveis, a rigor, em compasso menos intenso do que observado no início deste ano”, cita a ata do Copom no parágrafo 19. Para sustentar a avaliação, os diretores do Banco Central lembram que dados sobre comércio, estoques e produção industrial evidenciam essa percepção. Sobre o quadro externo, o texto cita que “nos mercados internacionais, embora ainda elevadas, a volatilidade e a aversão ao risco inflacionário recuaram desde a última reunião do Comitê e a percepção de risco de crise sistêmica mostrou arrefecimento”.
“O texto apresentou uma evidente alteração do discurso acerca das condições econômicas que determinam o cenário prospectivo para a inflação doméstica. Neste sentido, o BC procurou enfatizar a melhora observada nas perspectivas inflacionárias, a fim de justificar a decisão de reduzir o ritmo de aperto monetário para 50 pontos-base na reunião da última semana”, analisa o Banco Schahin em nota.
“Do ponto de vista das perspectivas para a sequência da política monetária no curto prazo, o documento não traz sinais claros sobre o que virá em setembro, deixando em aberto as possibilidades de nova adequação no ritmo de ajuste (o que seria uma alta de 0,25 pp.), repetir o aumento de 0,50 pp., ou até mesmo manter a Selic em 10,75%, embora não tenha cogitado essa alternativa de parada imediata. O que fica mais evidente é que uma nova alta em setembro, se confirmada, deverá ser a última do ciclo atual”, pontua nota do Schahin.
“A ata trouxe uma mudança marcante na percepção do cenário por parte do Copom. Mudaram não só as perspectivas quanto ao cenário externo, que trouxe até um aumento da probabilidade de que se observe alguma influência desinflacionária do ambiente externo sobre a inflação doméstica, quanto da atividade doméstica e das perspectivas de inflação”, explica a Rosemberg Associados.
“Cabe mencionar que, tanto para 2010 como para 2011, houve redução significativa na dispersão das expectativas para a inflação plena; bem como nas próprias expectativas para a inflação de preços livres”, ressalta a ata do BC.

