O mundial de futebol foi um dos principais motivos apontados pela indústria para explicar a queda na atividade do setor registrada em junho. Segundo o diretor de economia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Francini, o índice de atividade, que registrou queda de 0,6%, poderia ter ficado estável ou mostrado leve crescimento sem a Copa.
A indústria do Estado de São Paulo é o termômetro do setor no Brasil. As fábricas paulistas respondem por cerca de 57% do total de funcionários de todas as plantas nacionais, de acordo com dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Com a ressalva sobre a dificuldade de mensurar o efeito do mundial na atividade, Francini explica que foi possível chegar à conclusão depois de um levantamento com empresas que confirmaram queda na produção em dias de jogos do Brasil. O levantamento também mostrou influência de partidas de outros países que distraíram os consumidores em finais de semana. “Existe um efeito dificílimo de ser mensurado, mas de alguma maneira há interferência”, aponta o diretor. Segundo ele, uma montadora que buscou medir o impacto chegou a conclusão de que o efeito foi responsável por redução de 1% no total de horas trabalhadas.
O índice é representativo se comparado com a queda observada no total de horas trabalhadas da indústria. O indicador recuou 0,2% em junho e, junto com a redução de 1,9% nas vendas reais, contribui para a queda de 0,6% do Indicador de Nível de Atividade (INA) no mês. O setor aponta ainda que o fim dos benefícios fiscais, em março, continuou a influenciar a desaceleração em junho. “Depois de uma fase de antecipação de compras, você tem a consequência dela: aquilo que foi antecipado não foi revisado”, acredita Francini.
O economista acredita que o efeito negativo do fim dos incentivos fiscais na atividade industrial perdure até agosto, quando o índice, segudo ele, deve começar a subir. O indicador de junho sobre as perspectivas dos empresários em relação à economia comprovam essa tendência. O sensor, como é chamado, caiu quase três pontos em relação ao mês anterior.

