Diante do desafio de não deixar faltar números na telefonia celula, de acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) as combinações possíveis devem se esgotar em dois anos – as operadoras do setor entram em alerta para intensificar o reaproveitamento de números abandonados pelos usuários.
Estima-se que hoje estes números cheguem a 4,2 milhões e possam dar um fôlego de seis meses a uma ano ao setor. Hoje, o País tem 185 milhões de linhas habilitadas, sendo que destas, 26 milhões estão sob a área do código 11. Ou seja, capital e Grande São Paulo, primeira região que poderá ser afetada pela escassez de combinações.
A Anatel já fez consulta pública sobre o assunto e realiza estudos na tentativa de evitar o “apagão”. Até março, a agência estimava que havia 4,8 milhões de códigos em quarentena e 4,2 milhões na cadeia logística das operadoras (ou seja inativos ou disponíveis nas lojas das teles). No total, segundo a Anatel, os códigos atribuídos totalizam aproximadamente 35 milhões e sobrariam apenas dois milhões a serem usados no futuro.
Atualmente, estima-se que é possível gerar 40 milhões de códigos (números) na região, porém, apenas 37 milhões estão disponíveis para o acesso ao Serviço Móvel Pessoal (SMP). Isso ocorre porque 2 milhões estão destinados ao Serviço Móvel Especializado (SME) e 1 milhão deles têm combinação 90, o que confunde com o código das chamadas a cobrar e, por isso, não podem ser utilizados pelas companhias na oferta aos usuários.
Líder do segmento de telefonia móvel, a Vivo já vê como uma das suas prioridades busca por uma solução de baixo custo e já trabalha pelo reaproveitamento das numerações “perdidas”, contou ao DCI o presidente da empresa, Roberto Lima: “Estamos preocupados com essa questão, por isso, temos de aproveitar a numeração que foi abandonada”, disse ele, que ressaltou o fato da medida não substituir a necessidade de se fazer estudos para uma solução definitiva.
“Eventualmente terá de se fazer estudos sobre o aumento dos dígitos”, diz. Para se reutilizar um número, segundo ele, a empresa espera por um prazo médio de seis meses, para evitar que o novo usuário receba chamadas do antigo usuário da linha. “Vamos fazer um acompanhamento melhor daqueles clientes que abandonaram o sistema e não tem a intenção de utilizar o número”. De acordo com Lima, “isso pode dar um fôlego extra, se a gente for eficiente no reaproveitamento desses números”, até que se encontre uma solução.
A TIM, terceira maior do setor, aposta no crescimento da base de clientes em localidades como São Paulo e Rio de Janeiro, consideradas com alto grau de penetração do serviço. “E, caso haja uma maior disponibilidade de numeração, certamente o mercado paulista pode se desenvolver ainda mais rápido”, disse operadora em comunicado. Na opinião de especialistas, a proposta da agência reguladora não reflete uma solução definitiva para o problema, uma vez que em pouco mais de cinco anos após a implantação dos novos números, o setor verá o assunto bater novamente a porta, com a possível escassez de combinações em outras capitais.
Segundo o presidente executivo da Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas (TelComp), João Moura, a solução para o problema pode ser alcançada com uma codificação diferente para o uso de máquinas, por exemplo. Isso acontece pelo fato de sistemas de segurança, máquinas de cartão de crédito e outros aparelhos utilizarem números e concorrerem com os usuários domésticos. “A grande explosão de demanda por números está em outros acessos, por isso, temos de pensar em uma solução que não prejudique nem as empresas e nem os usuários”.
Moura também ressaltou a importância de se evitar a ociosidade no sistema, com números sem reaproveitamento por muito tempo, por exemplo. “Acredito que o recurso não é bem utilizado, pois o sistema ainda vê ociosidade, disse ele.

