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14/12/2017
Malhação e boa comida: as novas âncoras dos shoppings
Fonte: Paula Caires, Millerbaum Comunicação
Por: Redação
Grandes redes de departamento perdem espaço na ancoragem de shoppings; tendência confirma mudanças no perfil do consumidor
 
Nos shoppings do mundo e no Brasil inteiro é possível notar que as âncoras já não são mais as mesmas. A busca do público por espaços diferenciados, que possibilitam muito mais do que a experiência de comprar, tem feito com que a indústria se reposicione. “No passado recente o público buscava conforto e segurança para consumir produtos e serviços. Há alguns anos passou a exigir entretenimento também. Vieram os cinemas e os teatros. Agora chegou a vez das academias e espaços gourmet”, conta Filipe Vasconcelos, Diretor da Brookfield Gestão de Empreendimentos, que administra o Pátio Paulista e o RIOSUL, entre outros shoppings no Brasil.
“Os empreendimentos estão se tornando mais do que grandes centros de convivência e conveniência. Devem refletir o estilo de vida dos seus públicos. Assim como é importante promover eventos e ofertar marcas nacionais e internacionais, tornou-se imperativo para um shopping ter academia, delicatessem, além de bons restaurantes”, revela Vasconcelos. 
 
Queimando calorias...
Para se ter uma ideia, a BodyTech inaugurou, em setembro, no Pátio Paulista, em São Paulo, uma unidade com uma área de 1,5 mil m². A academia deve atender 2 mil clientes mensais, que terão estacionamento gratuito por até 3 horas no Shopping.  O grande diferencial da operação é um espaço dedicado exclusivamente ao treinamento funcional - tendência mundial fitness, com o crescimento de áreas destinadas às atividades do gênero integradas ao salão de musculação. 
Para o sócio proprietário da unidade, Vinícius Buckton, uma academia complementa a oferta de serviços do shopping e fideliza os clientes, pois eles frequentam o espaço, em média, entre 3 e 4 vezes por semana. A Bodytech Pátio Paulista ainda terá outros atrativos, com oaulas coletivas e modeladides em alta, como Yoga, Funcional e danças.
 
Também em São Paulo, o Raposo Shopping, na zona oeste, já está com contrato assinado com a rede de academias  Smart Fit. Em junho do ano passado, o Shopping inaugurou o Teatro Raposo – Sala Irene Ravache, consolidando essa nova abordagem do conceito de ancoragem.
No Rio de Janeiro, a Bodytech do Shopping RIOSUL foi a primeira academia-clube na Zona Sul carioca. “A academia ocupa todos os quatro andares de um prédio anexo ao shopping totalizando 3 mil m², uma área superior às ocupadas por âncoras, como Saraiva MegaStore, Zara, Forever 21, Renner e o complexo Kinoplex que possui seis salas de cinema com capacidade para mais de 670 espectadores”, revela.
O ambiente da Bodytech RIOSUL oferece ainda spa, piscina, espaço para crianças, iluminação natural e até octógono (para lutas). O investimento consumiu R$ 49 milhões, sendo R$ 33 milhões do RIOSUL, com a compra do terreno, e R$ 16 milhões do próprio  grupo Bodytech, gerando cerca de 300 novos empregos.
 
... para consumir mais
De acordo com a Associação Brasileira de Academias (ACAD), o Brasil já é o segundo País do mundo e o maior da América Latina em número de academias, com 33.157 unidades. São quase 8 milhões de alunos, movimentando cerca de US$ 2,5 bilhões. O País está entre os 18 com maior número de academias por habitante, segundo a pesquisa Global Report 2015, realizada pelo International Health, Racquet & Sportsclub Association (IHRSA). “A indústria não pode fechar os olhos para essas tendências. Se frequentar a academia é importante para o consumidor, temos que proporcionar esse conforto para ele”, afirma Filipe Vasconcelos.
 
 
As lojas de vestuário representam atualmente cerca de 11% da área comercial dos shopping centers, mas as lojas de alimentação já respondem por 7%. Entre 2012 e 2016, o espaço dedicado à alimentação nos shoppings cresceu 20%, conforme dados da Abrasce.  No ano passado, as vendas das operações de alimentação em shopping centers cresceram nominalmente 5,8%, enquanto as de vestuário amargaram contração de 6,3%. 
A nova área do Shopping Pátio Paulista aumentou em mais de 50% a Área Bruta Locável (ABL) do empreendimento, ao agregar 14 mil m².  No novo espaço, além da academia e um teatro (previsto para o próximo ano), foi dado destaque à área de alimentação com a chegada do além do Empório Gourmet Varanda, cinco novos restaurantes: Andiamo, Outback (ambos em operação), Frutaria São Paulo, o inédito Wok Paradise (de comida asiática) e o Poke Poke (de comida hawaiana), esses três com previsão de abertura para o terceiro trimestre do ano, além de outras operações do ramo, como o Boali e a São Brigadeiros. O Shopping ainda passa a contar com uma unidade da rede belga Le Pain Quotidien.  
Em julho, o Raposo Shopping recebeu seu primeiro grande restaurante fora da Praça de Alimentação: o Rock & Ribs! Em um espaço de 400 m², logo na entrada principal do Shopping, o restaurante segue o formato lounge da rede brasileira de steakhouse. Inspirado no conceito casual dining americano, traz a temática do rock clássico, por meio de instrumentos musicais, quadros com imagens icônicas da história do rock, clipes musicais, além de diversos detalhes em seu projeto arquitetônico e música ao vivo.
No cardápio, a grande estrela é o prato que dá nome ao espaço - a Rock Original Barbecue Ribs - uma costelinha suína assada por mais de 3 horas e coberta com molho barbecue.  Outros clássicos da gastronomia norte-americana, assim como carnes nobres, porções, steaks, hambúrgueres, massas, saladas e iguarias mexicanas também fazem parte do menu, além de pratos executivos a preços especiais no almoço. 
 
Esses são apenas alguns entre tantos exemplos de como os shopping centers estão reformulando o mix. Quem sai ganhando é o consumidor, com mais opções de alimentação - segmento já tradicional dentro do mall - lazer, entretenimento e bem estar.