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14/07/2017
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Um homem de propósito
Por: Daniela Santos
Fonte: Sem fonte

Levantando a bandeira da democracia e do livre mercado, Flavio Rocha mostra que os empresários são os protagonistas da nova fase do país

Ele foi uma das primeiras vozes a se levantar contra um governo debilitado, clamando aos outros empresários que assumissem o seu protagonismo nesse momento (histórico!) de transições e mudanças. Também pudera: Flavio Rocha, CEO da Riachuelo - a maior empresa de moda do Brasil - tem na bagagem dois mandatos como Deputado Federal (de 1987 a 1995), pelo estado do Rio Grande do Norte.

Fã de esportes e de tecnologia, Flavio Gurgel Rocha mantém o sotaque recifense, usa belas palavras ao se expressar e conquista a atenção do interlocutor pela veemência e eloquência com que se expressa. Tem como principal referência a figura paterna, o fundador da Guararapes, Evaldo Rocha. "Ele é a personificação do self-made man, que saiu de uma das regiões mais pobres do Brasil, o Rio Grande do Norte, com 12 anos e aos 18 abriu a sua primeira loja e construiu o que hoje é a maior empresa de moda do Brasil", diz.

O seu propósito – e o dos 40 mil colaboradores do grupo – é democratizar a moda. "A moda sempre foi um mundo meio arrogante, elitista, de nariz empinado. Era um privilégio de poucos. e a Riachuelo, por esse formato de negócios peculiar, que vai do fio até a oitava prestação depois da venda, consegue fazer a moda chegar a todos", acredita.

Você conhecerá um pouco mais dessa personalidade do varejo brasileiro, que conquistou o título de Empresário do Ano.

 

Política & Liderança Empresarial

“Eu particularmente fiquei bastante contente com o texto “Uma ponte para o Futuro”. Foi corajoso da parte do PMDB divulgar um documento desses, claramente liberal, com um projeto para o Brasil. Acredito que é isso que estava faltando pois o Governo anterior estava completamente perdido, sem rumo. Essa não é apenas uma troca de governo e, sim, troca de capítulo”.

“A lógica da zona de conforto é não se manifestar. Mas o empresariado já entendeu que precisa assumir o protagonismo que tem nessa mudança que o país precisa”.

“Livre mercado e democracia são os dois pilares para o crescimento econômico”

“As leis que os corruptos mais temem são as leis do livre-mercado, pois não sobra espaço para a corrupção. A Lava-jato já tem vida própria e continuará em curso”.

“Existe uma tendência no mundo dos negócios da radicalização das negociações, cada um olha de forma estreita o seu interesse, o interesse de sua empresa. E isso, muitas vezes leva a decisões erradas ou a vitórias ilusórias. A real vitória é a do ganha-ganha. Fundamental no mundo dos negócios é enxergar através da mesa de negociações, ver o interesse das outras pessoas porque sempre numa negociação entre o que é ideal para você e o que é ideal para o seu parceiro tem uma terceira opção, que não é a ideal para nenhum dos dois, mas é a proposta do ganha-ganha. Saber enxergar o outro lado na negociação é a chave para o mundo dos negócios”.

“Uma palavra muito frequente no nosso vocabulário é propósito. Dizem, até, que o dia mais importante da sua vida é quando você descobre o motivo pelo qual você veio ao mundo. Eu lembro desse dia como se fosse ontem! A partir daí, o propósito se estendeu para a nossa empresa. O que nos tira da cama de manhã - não só a mim, mas aos 40 mil colegas de trabalho, colaboradores da Riachuelo - é um propósito maravilhoso que nos comove e nos energiza, que é a missão de dar acesso à moda”.

“A empresa que não tem um propósito compartilhado fica como estava o nosso Congresso no passado, onde prevalece o interesse. É o propósito que faz com que interesses aparentemente conflitantes – como o acionista que quer maximizar os dividendos, ao mesmo passo em que o trabalhador que quer legitimamente ter a maior remuneração, o executivo ter o maior bônus possível. Cada real a mais que vai para o executivo, é um real a mais que o cliente paga. É um conflito inconciliável. O fornecedor quer ter uma relação lucrativa com a empresa mas, na outra ponta, o cliente que quer ter a melhor proposta de valor. Isso é o que acontece no plano do interesse. No plano do propósito, essas 40 mil pessoas apaixonadas, engajadas com a missão e com o propósito de democratizar a moda descobrem que é por meio do propósito que você maximiza todos esses interesses”.

“Eu tive um período de muitos ensinamentos que foram os oito anos de militância política, em que fui constituinte e deputado federal por dois mandatos. E, na volta à empresa, em 95, recebi como um legado fantástico: empresas muito bem construídas, eficientes. A maior confecção do Brasil e uma rede de lojas que já cobria todas as regiões do Brasil. Ainda era uma empresa verticalizada. E eu acredito que minha contribuição foi transformá-la numa empresa integrada. Hoje, o grupo é formado por empresas que existiram historicamente mas a virada, a integração entre a indústria, a logística, a rede de lojas, a financeira, é o legado que eu vou deixar”

 

Moda & Democracia

“Por pura ousadia – e um pouco de irresponsabilidade – transformei uma marca recém-nascida em Top of Mind, quando comprometi mais de 100% da verba anual da Pool em um contrato de patrocínio a um piloto franzino e, até então, anônimo. Foi assim que vi a minha marca aparecer todas as semanas com as fantásticas vitórias do Ayrton Senna na Fórmula 3".

“Nós sabemos como a moda que nos circunda tem o poder mágico de tocar as pessoas ao resgatar a autoestima e melhorar a qualidade de vida. Essa empresa maravilhosamente complexa que transforma esses conflitos da cadeia têxtil em sinergia, consegue duas coisas fundamentais para fazer a moda chegar a todos: baixo custo e velocidade. Nosso modelo integrado traz esses dois diferenciais. Graças a isso estamos conseguindo alargar as portas de acesso desse mundo maravilhoso mas que, até a pouco tempo, era inacessível para a maioria das pessoas”.

“Um dos aspectos mais ousados da nossa estratégia como marca é desafiar o conceito tão presente no mundo da moda que é a segmentação: eu vou vender roupa pra rico, pra mais ou menos, pra baixa renda... então nós ousamos: essa loja na Oscar Freire é uma prova disso: a gente ousou, solenemente, desafiar essas barreiras de segmentação”.

 

Flavio por ele mesmo

“No tempo livre eu vivo com a minha família, eu gosto de esporte, sou um apaixonado por tecnologia também. Gosto de viajar – o que é bem conciliável com o meu trabalho tanto aqui no Brasil quanto fora, vendo as tendências, os novos formatos de varejo. Eu sou uma dessas pessoas abençoadas que achou um propósito que me motiva e me energiza”.

“Existem três tipos de liderança. A militar, convencional, de cima para baixo, pesada, austera; a mercenária, que é aquela de exacerba, baseada no bônus, na remuneração variável; E a missionária, aquela que é o garoto-propaganda. Eu me enquadro nessa terceira pois a minha função é irradiar o propósito da empresa”.

“Felicidade é a soma das alegrias de ir trabalhar de amanhã com a alegria de voltar para casa a noite. Eu não acredito na formula do workaholic, daquele cara obstinado, obcecado. A vida vive-se em equilíbrio”.