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Varejo
29/4/2010
Arquitetura x Arquitetura de varejo

Tal qual hoje se fala muito da distinção entre o marketing tradicional e o marketing de varejo, acredito que a mesma filosofia deveria começar a ser empregada para a distinção entre a arquitetura e a arquitetura para o varejo, ou arquitetura comercial. O mais interessante nisso tudo é que é possível enxergarmos erros de responsabilidade tanto da parte de alguns escritórios, quanto da parte dos próprios varejistas. Creio que todo desenho de arquitetura voltado ao varejo deve ter como único foco o resultado, seja ele um objetivo de venda, ou de se atingir um determinado perfil de público ou de mercado.

Vejo alguns escritórios preocupados em realmente criar um portfólio de lojas esplendorosas, que impactam desde o primeiro momento. Entretanto nem sempre o impacto causado resulta em uma venda esperada. Eu defendo e acredito em conceitos inovadores e materiais inusitados aplicados ao ponto-de-venda. Temos que criar ambientes de loja cada vez mais envolventes, cada vez mais em sintonia com o consumidor moderno, principalmente se estamos falando de lojas de perfil moderno, como lojas de vestuário ou acessórios, por exemplo.

Do outro lado, é comum ver varejistas contratando profissionais e escritórios especializados para revitalizar sua identidade ou marca no mercado, mas à todo momento, querem que seu gosto ou suas vontades sejam atendidas a todo instante. Não que um desenho ou projeto não deva atender às especificações ou anseios do cliente, longe disso, mas em muitos casos, as vontades, gostos pessoais, ou mesmo o “achismo” do cliente não refletem a real necessidade ou oportunidade de mercado.

Por exemplo: é ponto comum perguntar para um varejista para quem ele deseja vender e este responder: “para todo mundo”. E isso falando de estabelecimentos pequenos. Em um mundo onde os mercados estão cada vez mais segmentados e onde o posicionamento é cada vez mais importante, quem deseja vender a todos, acaba por não vender a ninguém.

Eu defendo que um arquiteto, que projeta para o varejo, é imensamente maior se comparada com a de um projeto residencial, por exemplo. Em um projeto tradicional, temos apenas o gosto do cliente como parâmetro principal, ao passo que num projeto de varejo, além do gosto, que passa a ser um parâmetro secundário, temos o resultado como parâmetro principal.

Muitos clientes de varejo buscam um projeto que aumente suas vendas. Se uma loja vende R$ 100 mil /mês, uma alteração no projeto deve significar no mínimo um aumento de 20% sobre esse faturamento. Portanto, desde o primeiro momento, o arquiteto deve se comprometer com essa questão em todas as suas decisões.

Vale a pena virar a loja de cabeça para baixo? Valerá a pena se isso significar vender mais, porque se for apenas para mudar, então não vale a pena. É como costumo a dizer: prefiro uma loja feia que venda bem, à uma loja “bonitinha” que não venda nada. Projeto bom é projeto que vende bem. Muitos varejistas temem contratar um arquiteto ou projetista com medo de uma grande mudança. Acredito que muitos arquitetos também acreditem que se não mudar em muito a loja, o projeto não se valoriza, e o cliente passe a acreditar que está pagando caro demais pelo que está sendo feito.

O projeto arquitetônico de varejo, antes de mais nada, deve ser “pé no chão” e respeitar tanto o varejista e a marca, quanto o seu consumidor. Muitas vezes, com boa criatividade, é possível se criar projetos que vendam bem e com custos dentro do esperado, sem grandes sustos.

Um grande abraço e boas vendas!



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Caio Camargo

Caio Camargo é Arquiteto e MBA em Marketing pela FGV. Especialista em varejo e merchandising (PDV), com mais de 12 anos de experiência em planejamento e projetos de layout e comunicação visual e arquitetura para empresas e redes de varejo. É Gerente de Negócios da Gad’ Retail, uma das maiores consultoria de marca da América Latina. Autor do blog “Falando de Varejo", também é palestrante e professor de Visual Merchandising da Escola Panamericana de Arte (SP).

Site do Autor: www.falandodevarejo.com.br
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