Eu odeio as escolas do mundo, eu odeio as escolas que ensinam decoreba para as crianças. Simplesmente não funciona, não resolve.
A minha filha estudou em uma escola de mente aberta que não obrigava ela a decorar NADA. Nas reuniões que reuniam os pais, a diretora pedagógica da escola da minha filha não conseguia explicar direito qual é o método que eles usavam. Não era o método tradicional, não era o método Montessori, não era nenhum método conhecido, eles estão experimentando coisas novas, misturando escolas diferentes, experimentando de tudo; a maioria dos pais e mães achavam isso um absurdo, mas eu gostava da ideia, e paguei para ver.
A minha filha era super feliz nessa escola. Ela brincava prá caramba e tinha várias amiguinhas de diferentes níveis sociais; não sabia muito de matemática, mas já conhecia as poesias de Carlos Drummond de Andrade, já tinha ouvido um sanfoneiro tocar uma sanfona, e se recusava a conversar com adultos mal educados, que falavam em voz alta, gritavam, ou não sabiam falar "muito obrigado", "desculpe" ou "por favor".
Por outro lado, eu tinha amigos com filhos de quatro ou cinco anos que estudavam em escolas tradicionais que ensinavam a eles a levantar quando o professor entrava na sala, e a cantar o Hino Nacional todos os dias pela manhã. A minha esposa ficava preocupada porque achava que a nossa filha estava atrasada, mas eu não estava nem aí se a minha filha ainda não sabia ler X coisas, ou escrever o nome do presidente da república.
Eu odeio as escolas tradicionais, e acredito que a educação precisa de uma revolução. As escolas precisam se reinventar!!! As escolas precisam conhecer a ESCOLA DA PONTE! Alguém aqui já ouviu falar da Escola da Ponte em Portugal?
"Educar é mais do que preparar alunos para fazer exames, mais do que decorar a tabuada, mais do que saber papaguear ou aplicar fórmulas matemáticas. É ajudar as crianças a entender o mundo, a realizarem-se como pessoas, muito para além do tempo de escolarização". Esse é o pensamento que norteia a filosofia da Escola da Ponte, uma instituição pública de ensino que fica em Portugal.
Idealizada pelo educador lusitano José Pacheceo, e fundada em 1976, a escola é o modelo de um sistema pedagógico inovador, inspirado dos ideais de educação libertária de pensadores como Edgard Morim, e o brasileiro Paulo Freire. Na Escola da Ponte não há salas de aula, séries ou curso determinado. A Escola da Ponte é a verdadeira Escola de Atenas (referência àquela pintura que eu já mostrei por aqui várias vezes feita por Rafael séculos atrás).
Na Escola da Ponte o aprendizado é autônomo. Cada aluno escolhe o que quer aprender. Eles elaboram seus planos de estudo e desenvolvem projetos, individuais ou em grupo. Professores lá trabalham conjuntamente com os alunos, não havendo diferença hierárquica entre eles. Não há um diretor.
Provas??? Só quando o aluno quiser, ou melhor, quando sentir que já aprendeu e está preparado para ser avaliado. E é ele quem procura o professor e solicita a avaliação. "As nossas crianças não são educadas apenas para a autonomia, mas através dela, nas margens de uma liberdade matizada pela exigência da responsabilidade", explica Pacheco.
Mas para chegar a esse ponto, os alunos passam por um longo aprendizado de múltiplas disciplinas. "Para os que vêm de outras escollas e confundem liberdade com libertinagem, não sabem o que querem, somos nós que dizemos o que devem aprender e quando devem ser avaliados. Não somos doidos", esclarece Pacheco.
A escola é pequena, tem cerca de 200 alunos, com idades entre 5 e 13 anos. Pequena no tamanho, mas grande na proposta pedagócica, a ponto de fazer o educador Rubem Alves se encantar. "Quando vi a Escola da Ponte fiquei alegre e repeti, para ela, o que Fernando Pessoa havia dito para uma mulher amada: "Quando te vi, amei-te já muito antes...", conta Rubem.
"A primeira vez que visitei a Escola da Ponte quem me apresentou a escola foi uma menina de nove anos", conta Rubem Alves, "Para entender a nossa escola, o senhor terá que esquecer tudo o que entende sobre escolas. Não temos professores dando aulda. Não temos turmas separadas, nem campainhas separando os tempos de pensar",
"Como nós aprendemos? Os alunos formam pequenos grupos e escolhem um tema que desejam trabalhar. O que o professor vai fazer? Ele dá as informações bibliográficas e de pesquisa na internet, estabelecendo com os alunos o programa de trabalho, de investigação e de leitura. Por duas semanas, eles lêem, investigam, pesquisam na internet. Todo mundo está trabalhando. Não tem ninguém dando aulas. Os alunos estão investigando, trabalhando e ao final de duas semanas eles reúnem-se para conversar sobre o que aprenderam. Quando se sentem prontos para serem avaliados, solicitam as provas."
É possível implementar a Escola da Ponte no seu bairro? É possível implementar a Escola da Ponte no Brasil inteiro? Por que não?
O website da Escola da Ponte é feinho, mas tem algumas pérolas shows de bola sobre o projeto da escola. Um exemplo é o projeto pedagógico da Escola da Ponte disponível na web para você ler, compreender, e porque não implementá-la na sua cidade, ou mostrar para os diretores da escola mais próxima da sua casa. Outra pérola é o documento original de 1996 sobre o projeto inicial da escola.
QUEBRA TUDO na Escola!!